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São Lourenço
de Brindes
Freis Capuchinhos do Paraná e Santa Catarina

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Sebastião François – 18

Beato Sebastião François

 

01Entre as 547 vítimas de “Rochefort” e os 64 sacerdotes beatificados como mártires da Revolução Francesa figura também o Frei Sebastião de Nancy. A trama da sua biografia é um pouco mais documentada. Francisco François nasceu aos 17 de janeiro de 1749 em Nancy, filho de Domingos e Margarida Vernerson, e foi batizado um dia depois na igreja de São Nicolau. Ainda quase criança conheceu os capuchinhos. A Paróquia de São Nicolau, fundada em 1731, utilizava a igreja dos capuchinhos para o culto até 1770. Os frades animavam também a Ordem Franciscana Secular. O convento era importante sede do Capítulo Provincial e do lanifício da Província para confecção das túnicas e mantelos para todos os capuchinhos de Lorena, distribuídos em 28 conventos no território da região.

 

O mestre de noviços, Frei Miguel, aos 24 de janeiro de 1768, o revestiu com o hábito capuchinho com o novo nome de Frei Sebastião e um ano depois recebeu a profissão solene. O ato da sua profissão, assinado no Registro Oficial, é o primeiro de 1769, como o ato do batismo inaugurava o registro da Paróquia de São Nicolau, em Mousson, um convento fundado em 1607 e renovado em 1764. No tempo do Beato Sebastião moravam neste convento nove padres, seis clérigos e um frade não clérigo. Frei Sebastião estava completando os seus estudos e já tinha sido ordenado sacerdote, ainda que são sabemos com precisão, a data da sua ordenação.

 

Aos 05 de junho de 1777 é confessor no convento de Sarreguemines. Em 1778 vai para o convento de Sarrebourg, Diocese de Metz, como confessor. Aos 26 de agosto de 1784 foi enviado para o convento de Commercy até o final de 1789.

 

Frei Sebastião a partir de 1789 se encontrava no convento de Epinal, quando estourou a Revolução Francesa com todas as conseqüências anti-religiosas e antieclesiásticas. Os comissários municipais, aos 30 de abril de 1790, entraram no convento para fazer o inventário. Um ano depois, os móveis e pertences do convento, foram vendidos e Frei Sebastião encaminhado para o convento de Castelo-sur-Moselle, indicado pelo Conselho Municipal como casa comum dos capuchinhos. Aos 09 de novembro de 1793 foi enviado para a casa das Terceiras em Nancy, que servia como prisão para os padres refratários.

 

Aos 26 de janeiro de 1794 o administrador do distrito de Nancy, verificando a situação de todos os detentos e do Frei Sebastião anotou que era refratário e sem nenhuma enfermidade, pronto pois, a entrar na lista dos padres rebeldes condenados a Rochefort. Partiram pois a 1º de abril 48 padres e religiosos e depois de um penoso trajeto de quatro semanas, chegaram a Rochefort aos 28 de abril. Alguns dias depois, embarcados no navio negreiro de Deus-Associés, já com 373 padres e religiosos prisioneiros, foram transportados para a ilha de Aix e Oleron onde o veleiro foi atracado. Ao Pe. Sebastião se apresenta uma visão desoladora: aquela centena de prisioneiros pálidos, barbas longas e mal tratados, hábitos suados, parece uma prisão de moribundos.

 

“O nosso navio atufado de padres e religiosos – como deixou escrito um sobrevivente – era como um altar para o holocausto em louvor da Providência entre as ondas do mar, para a consumação perfeita do sacrifício”. Os corpos das vítimas, completamente despojados como nos campos de concentração hitlerianos, foram transferidos para as margens arenosas e alguns dos prisioneiros ainda em discreta saúde ali deviam sepultá-los na areia sem poder recitar nenhuma oração ou elevar ao céu qualquer canto da igreja.

 

As testemunhas deixaram um esplêndido retrato do Frei Sebastião, cultivado como uma flor especial de virtudes no maço de flores perfumadas dos mártires. Eis suas palavras: “O Senhor manifestou a santidade do seu servo, o Frei Sebastião, capuchinho da casa de Nancy, vindo para morrer sobre esta nau. Este santo religioso era entre nós venerado pela sua eminente piedade e virtude e tocante devoção. Rezava incessantemente, sobretudo na última doença. Em uma manhã foi visto de joelhos, os braços abertos em forma de cruz, os olhos elevados ao céu, a boca aberta. Não se fez muito caso, porque já estávamos acostumados a vê-lo rezar assim, durante a sua doença. Depois de meia hora, estávamos estupefatos de vê-lo perseverar naquela posição tão incômoda e difícil, porque agora o mar estava muito agitado e a embarcação balançava e oscilava muito. Provavelmente estava em êxtase. Nós aproximamos para vê-lo de perto. Tocando seu corpo e as suas mãos, percebemos que há muito ele entregara sua alma a Deus”.

 

Os marinheiros foram chamados. Era o dia 10 de agosto de 1794. A recordação do Beato Sebastião permanece esculpida assim: Um homem que não só reza, mas todo transformado em oração; na vida e na morte, uma oração feita homem, encarnada, como Francisco de Assis.

 
                                                                             (Frei Eurípedes Otoni da Silva – OFMCap.)
 
 

Oração:

 

Ó Deus, ao comemorarmos a paixão dos vossos mártires João Luiz Loir, Protásio Bourdon e Sebastião Francisco, dai-nos a alegria de ver atendidas as nossas preces, para imitarmos sua firmeza na fé. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, nosso irmão, na unidade do Espírito Santo. Amém.


Liturgia Diária

Evangelho: 5ª-feira da 28ª Semana do Tempo Comum

Santo: São Paulo da Cruz

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