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Maria Madalena Martinengo – 27

Martinengo2A nossa Bem-aventurada nasce em Brescia, na vigília de São Francisco de 1687, filha do conde Leopardo Martinengo, patrício veneziano, e da condessa Margarida Sechi de Aragão.
Esperada como dom de consolação, vem no entanto ao mundo para beber o cálice do sofrimento: presságio daquilo que seria a sua vida.
A mãe morre cinco meses depois. E ela, criatura frágil e sempre doente, só aos cinco anos foi levada à igreja para a cerimónia solene do batismo. A ostentação e o luxo da nobreza de Brescia provocaram na menina — como ela própria confessará mais tarde, manifestando o seu desacordo um sentimento de vaidade e de orgulho.
Ficou pouco tempo com a família. O pai, preocupado em dar-lhe uma educação esmerada, desejava que ela fosse o ornamento e a pérola da casa.
Como não o haveria de ser, se ela revelava uma alma comunicativa e vivaz, de inteligência intuitiva e pronta, e de nobres sentimentos? Por isso foi enviada para as Ursulinas de Brescia, nas quais encontrou afetuoso acolhimento e uma boa formação intelectual.
Nas suas periódicas reaparições era fácil observar os seus contínuos progressos: nos estudos, na virtude e, muito particularmente, no fraterno e efetivo amor aos pobrezinhos.
Já nessa altura era objecto de particular predileção da parte de Deus. De vez em quando, o conde costumava retirar-se para o seu feudo Del Barco. Um dia, em que era acompanhado pela sua extremosa filha, inesperadamente os cavalos assustam-se e desatam a correr, arrastando a carruagem, que deixa atrás de si densas nuvens de poeira. Num esticão mais violento, a menina é projetada, desamparadamente, para o meio da poeira… Gritos de angústia e desespero. E os fogosos cavalos, com os freios partidos na boca, em corrida louca! Só mais adiante, depois de muito suor e esforço, o cavaleiro os consegue domar. Correm imediatamente para o lugar do incidente. «Como encontrarão a menina?» Esmagada pelo rodado?» Não; uma enorme alegria depois de um indizível tormento. A menina, alegre e sorridente, vinha ao seu encontro sem uma arranhadura. Ela mesma revelará mais tarde este segredo: «Senti uma mão invisível que me agarrava e me salvou. Certamente foi o meu Anjo da Guarda».
Depois desse acontecimento, e também para ser grata ao Senhor, a jovenzinha decidiu consagrar-se-lhe inteiramente.
Mas que Ordem e que Congregação escolher? Inclinava-se para o Carmelo, do qual ouvira falar com particular admiração. Mas, numa tarde divinal, ao sair de passeio com uma companheira, que partilhava os mesmos ideais, ouviu-lhe dizer que também em Brescia havia outras religiosas pobres, as quais davam um grande testemunho de vida franciscana.
Para ela foi uma autêntica revelação: seria uma dessas religiosas. E não guardou segredo desta sua decisão. O conde, seu pai, nem queria acreditar! Ficou irritadíssimo. E, para a distrair, para a guardar — como dizia — levou-a a dar um passeio de visita-diversão pelas principais cidades italianas. E interpuseram também uma verdadeira teia de outros obstáculos à sua vocação. Mas tudo foi inútil. Quando Deus quer, tudo se vence.
Ei-la, com 18 anos, vitoriosa e feliz, nas Capuchi-nhas de Brescia, com o nome de Maria Madalena.
O ano do Noviciado, feito com alegria e muita entrega, foi extremamente duro. Vinte anos depois, ela afirmava: «É melhor não pensar nisso: ainda agora fico aterrada».
Sofreu imenso da parte da Mestra de noviças, pouco experiente, que dizia: «Que coisa se pode esperar de uma jovem delicada, quemariamarti veio para o convento, mais por capricho que por vocação? Certamente quererá trazer para aqui essa nobreza! Jamais poderá assimilar a nossa formação». E não se cansava de repetir: «Retendo-a aqui, a irmã Madalena será a ruína da observância regular».
Ironia da Providência! Foi admitida à profissão religiosa com unanimidade de votos. Muitos anos depois poderá dizer: «A minha vinda para a vida religiosa foi a sepultura da minha vontade». E ainda: «Conta-se que São Dionísio, já decapitado, levou durante duas milhas a cabeça entre as mãos. Eu fiz isto mesmo: entrei no mosteiro com a cabeça entre as mãos e fui acolhida por todas as religiosas de círios acesos. Reunida com as outras irmãs no coro, depositei a minha cabeça aos pés do Crucifixo e ali a crucifiquei para não mais a tomar de novo, Foi assim que fiz a entrada solene na Ordem Seráfica custasse o que custasse, deveria levar uma vida toda feita de santidade e de morte a mim própria».
Na verdade, submeteu-se a uma tremenda e rigoros ascética do espírito: durante 18 anos, no refeitório, nunca levantou os olhos; durante 25 anos não sabia de que era feito o coro, nem quantas janelas o iluminavam.
Cruéis e incríveis as suas penitências corporais. El própria confessa: «Tenho à volta do corpo um grande cilicio. Levo sempre uma grande cruz sobre mim, com muitos cravos dilacerantes. Por isso, qualquer posição contitui para mim um martírio, especialmente quanto deitada ou sentada. Faço três disciplinas por dia e, em casos particulares, sete. Três horas por noite estou com os braços levantados em cruz para imitar o meu Esposo celeste, crucificado por mim. Quando estou a sós com Deus, procuro em tudo o que é mais penoso, não me deitando durante a noite, guardando-me do frio apenas com uma leve e estreita cobertinha. Sofro um fogo, que jamais consigo extinguir». Praticou muitas penitências, e duas ficaram famosas: Uma consistia em espetar alfinetes no corpo, onde os deixava até eles apodrecerem; outra consistia em queimar a carne, deitando nela cera a ferver e enxofre líquido. Mas ainda mais sublime virtude revelou nas mortificações interiores: nunca se desculpar, buscar o desprezo de si mesma, humilhar-se diante das outras Irmãs, não mostrar qualquer sinal de sofrimento, mesmo estando doente. É de ficarmos verdadeiramente pasmados, se compararmos tudo isto com o nosso estilo de vida! Bastará dizer, como conclusão deste voluntário martírio, que o próprio Deus se dignou marcá-la com a impressão dos Sagrados Estigmas.
Aos 30 anos é Mestra de noviças.
Beata Maria Madalena Martinengo 1Ávida de santidade, ardente de caridade e de zelo, rica em prudência e experiência, a Irmã Maria Madalena será na verdade a educadora e a guia ideal. Numa bela manhã entra na sala das postulantes e ordena-lhes que ponham as suas vestes seculares. Uma donzela, calçadas as suas luvas finas, que trouxera do mundo, não esconde um sentimento de vaidade. A Mestra dá-se conta e intervém: «Irmã, diz-lhe, vá depressa à horta estender o estrume com as suas próprias mãos». A postulante obedece, mas sente-se revolver dentro de si própria, recordando «as suas luvas finas».
Naturalmente, sob a sua orientação, as noviças progrediam rapidamente na virtude, para edificação de todos. Tanto assim era, que as Irmãs mais velhas desejariam recomeçar o Noviciado, a fim de aproveitar a sua iluminada e sábia direção.
Aos 45 anos, com o voto unânime de todas as religiosas, foi eleita Abadessa. Impávida e firme suplicou elegessem outra Superiora mais digna. Só quando se convenceu ser essa a vontade de Deus, aceitou.
Então, brilharam, ainda com maior fulgor, os dons do seu coração e da sua alma. Todas as Irmãs admiravam o seu sentido de responsabilidade, o seu cativante exemplo, digno de imitação.
Todas afirmavam: «O seu governo é mais divino que humano».
E como era profunda a fé da bem-aventurada Maria Madalena! Era o verdadeiro fulcro da sua vida! Fascinava-a o augusto mistério da Santíssima Trindade. Dele fala¬va como que absorta, em êxtase, suscitando em todas as Irmãs um amor ardente. Deste mistério escreveu páginas inspiradas. Vivia imersa em profunda adoração, e a cada passo repetia: «Ó beata Trinitas».
O mistério da Encarnação abismava-a, já que ele manifestava, de um modo concreto, o infinito amor de Deus. Meditando-o, pensando nele, saíam-lhe comovedoras exclamações: «Ó maravilhai Ó prodígio! Um Deus Menino! Quantas humilhações»!…
De Nosso Senhor Jesus Cristo venerava particularmente o Seu precioso Sangue e a Sua Santa Cruz. Todos os dias revivia as dores e as lágrimas da Virgem Dolorosa e recitava um rosário com os braços em cruz.
Passava longas horas diante do Sacrário, ajoelhada e imóvel, olhos rasos de lágrimas e voltados para o céu.
Tinha uma grande fé, e também uma grande esperança! Dizia: «Ó esperança do Céu, que obténs quanto esperamos; em ti queroA0633 esperar sempre». Frequentemente repetia: «O Senhor nunca recusa nada a quem põe n’Ele a sua esperança».
E que ardente caridade! Tinha sempre o seu coração unido a Deus e com Deus; passava longo tempo abismada na meditação do seu nada e da infinita e divina Majes¬tade. O seu coração era uma fornalha a arder e, para acalmar um pouco esse fogo, andava pelos claustros ou passeava pelo jardim, e exclamava: «O Jesus de infinito amor! Ó Deus de infinito amor»! Às vezes implorava que lhe deitassem água fria no peito dilatado pelo fogo que a abrasava: «Meu Deus, não posso mais!… Meu Deus, não posso mais»!
Encontrava um certo refrigério na sua entrega aos pobres, aos doentes, aos pecadores. Aos pobres ela própria lhes distribuía o pão; às Irmãs doentes pedia que dissessem ao Senhor lhe desse a ela todas as suas dores; pela conversão dos pecadores multiplicava penitências e orações.
E foi o amor que a consumiu antes do tempo. Ainda não tinha 50 anos. Teve do Esposo Divino a revelação do dia em que Ele a viria buscar. Declinou nas mãos da Vigaria a sua autoridade de Abadessa. E preparou-se para partir. Às palavras do médico: «Madre, a morte está próxima», pareceu transbordar de alegria; voltou os olhos e os braços para o céu e exclamou: «Irmãs, irmãs!… Finalmente parto»! Recebeu o Santo Viático. E nunca mais falou, a não ser com o seu olhar virginal.
As religiosas, comovidas e chorosas, comprimiam-se à volta do mísero leito da sua Superiora. O confessor pergunta-lhe: «Madre, quereis partir para o Paraíso»? Abriram-se-lhe os olhos e a moribunda, com o sorriso dos predestinados, murmurou entre os lábios: «Oh, sim! Sim!» Começou a estreitar com a sua mão doente a estola do sacerdote, continuou com os olhos voltados para o céu e, placidamente, entregou a sua vida ao Criador. Era o dia 27 de Abril de 1737.
A grande notícia espalhou-se rapidamente: «Morreu a santa! Morreu a santa»! E então a sua cidade, de que fora talvez a mais fulgida glória, invocou-a e teve nela a sua poderosa intercessora de graças e de milagres.
Foi beatificada por Leão XIII a 3 de Junho de 1900.


Liturgia Diária

Evangelho: 5ª-feira da 28ª Semana do Tempo Comum

Santo: São Paulo da Cruz

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