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São Lourenço
de Brindes
Freis Capuchinhos do Paraná e Santa Catarina

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Leopoldo Mandic – 12

13-S-LeopoldoMandic_da_Castelnuovo1866-1942cO padre Leopoldo nos é  assim apresentado: «Altura, um metro e trinta e cinco centímetros… Não muito bem parecido, defeituoso na pronúncia, magro e trôpego no andar. Quando se sentava na sua cadeira, na penumbra da sua pequenina cela confessionário, mal se avistava».

Ainda por cima, sofria de várias doenças: conjuntivite, artrite, perturbações de estômago.

Ele mesmo tinha consciência da sua fraqueza física, e nisto não sentia qualquer alegria: «Sou verdadeiramente um homem que não presto para nada e de figura ridí­cula». Mas, por fim, acabou por se aceitar a si mesmo com serenidade.

Um Irmão, com este aspecto, facilmente se .poderia expor à tentação de lhe faltarem ao respeito. De fato, para os garotos da rua, era um divertimento meter-lhe pedrinhas no capuz.

Um «vaso de barro», deveras pouco vistoso, mas cujo tesouro estava escondido por dentro. Uma luzinha pobre e frágil, mas cuja chama soube iluminar. Quanto calor e quanta luz!…

Era magro e trôpego no seu caminhar sobre a terra, mas deu passos de gigante no caminho do céu. «Quem é aquele que hoje aqui nos reúne para celebrar, em sua feliz memória, uma irradiação do Evangelho de Cristo ?», interroga-se Paulo VI, na praça de São Pedro, a 2 de Maio de 1976. «É um pobre, um humilde Capuchinho. Parece totalmente vacilante, mas tão estranhamente seguro que nos sentimos atraídos e cativados por ele».

A sua terra é Castelnuovo de Cattaro, na Dalmácia. Aqui nasce a 12 de Maio de 1866. Era o duodécimo filho de Pedro António Mandic e da Condessa Carolina Jarevic. No batismo recebeu o nome de Bogdan (Adeodato) João.

Da antiga riqueza da família resta apenas uma recor­dação. Contudo, ficaram os inestimáveis bens de vida cristã intensamente vivida. De Bogdan, criança, uma sua coetânea recorda: «Era muito inteligente, muito aplicado ao estu­do, caráter bondoso e dado à vida espiritual. A sua vida era: casa, igreja, escola. Não participava nos jogos e divertimentos dos companheiros, preferindo ficar sempre sozinho, recolhido e como que absorto em oração».

Aos 8 anos dissera: «Quando for grande, quero ser monge, tornar-me confessor e ter muita misericórdia e bondade para com os pecadores». Sonhos de criança, ou esboço de um programa de vida?

Aos 16 anos deixa a família e ingressa no Seminário dos irmãos Capuchinhos de Udine.

leopoldo_mandicEm 1882, com 18 anos, é já noviço em Bassano dei Grappa, com o nome de Frei Leopoldo. Faz os estudos filosóficos e teológicos em Pádua e Veneza. É um estu­dante Capuchinho modelo: humilde, sereno, recolhido, dili­gente.

É ordenado sacerdote a 20 de Setembro de 1890.

Durante cerca de 20 anos esteve em várias Frater­nidades: Veneza, Bassano, Zara Capodistria, Thiene.

O seu programa de vida, sempre em total disponi­bilidade e obediência, rege-se por dois compromissos: o apostolado silencioso do confessionário e a vocação ecu­ménica pelo regresso dos irmãos separados do Oriente.

A sua vocação ecuménica remonta a 18 de Julho de 1887. Era ainda estudante de filosofia: «Eu ouvi, pela pri­meira vez, a voz de Deus que me chamava a orar e a promover o regresso dos dissidentes orientais à unidade da Igreja Católica».

Aguardará que esta «voz de Deus» seja confirmada pelos Superiores. E, de fato, constituirá o seu tormento silencioso e doloroso ao longo de toda a sua vida.

Em 1909 encontra-se em Pádua como confessor e, durante quatro anos, como diretor dos estudantes de Filo­sofia. Depois (descontando o tempo de prisão, devido à sua nacionalidade eslava), como confessor até à sua morte.

O círculo da sua ação apostólica não poderia ser mais reduzido: um pequeno quarto de poucos metros quadra­dos, com uma mesa, uma estante para livros, uma peque­na cadeira, já gasta, e um genuflexório. E ali permanecerá dia após dia, ano após ano, até Julho de 1942, fiel à sua missão de confessor, mas com o coração voltado para o Oriente.

Apóstolo do confessionário e profeta do ecumenismo.

SLeopoldoMandicA «voz» de 1887 continua a ressoar sempre no íntimo da sua alma. Diz ele: «Aquelas palavras de Cristo serão a razão de ser de toda a minha vida: «Haverá um só rebanho e um só Pastor».

«Por enquanto, confidenciava a um amigo, não poderei sair de Pádua. Querem-me aqui, mas encontro-me como um passarinho metido na gaiola. O meu coração está sempre para além dos mares». Por isso, renovará regu­larmente o seu voto de compromisso ecuménico até ao dia 8 de Agosto de 1941: durante uns bons 54 anos!

É deveras interessante dar-se conta como o padre Leo­poldo soube harmonizar as duas vocações tão contrastan­tes: a de sacerdote confessor e a de sacerdote misionário.

No ano de 1945, com 69 anos de idade, o padre Leo­poldo aceita viver a sua vocação sacerdotal de confessor com espírito missionário: «Toda a alma que solicitar o meu ministério será o meu Oriente». Em 1936 dizia: «Devo cumprir a minha dupla missão: a salvação do meu povo curando as almas no Sacramento da Penitência».

O padre Leopoldo vive a sua vocação de sacerdote confessor e de sacerdote missionário como expressão da sua vocação religiosa: «A vocação é para ele seguimento quotidiano de Cristo, abandono confiante, oferta à von­tade de Deus, leitura crente dos acontecimentos e da sua própria vida».

Profeta do Ecumenismo, mesmo no exercício quoti­diano do ministério da reconcialiação! «A nota peculiar da heroicidade e da virtude carismática do padre Leo­poldo foi o de escutar e acolher os penitentes no minis­tério da reconciliação», afirma Paulo VI.

O padre Leopoldo reencontra esta mesma identidade da sua missão na celebração da Eucaristia, que se expri­me na celebração da reconciliação: no Amor que se ofe­rece como expiação e no Amor que perdoa.

Desta maneira, o padre Leopoldo vive a sua doação, empenhativa e dramática, de identificação com Cristo: empenhativa, porque se atualiza na fidelidade perseveran­te; dramática, porque não exclui a experiência pessoal dos limites da criaturidade e da fragilidade humana.

O padre Leopoldo é ministro do perdão, da recon­ciliação, da esperança, da serenidade e da paz. Vale a pena recolher o testemunho de um sacerdote, seu penitente: «Quanta paz se encontrava ao chegar ali, àquela cela pequena e pobre, que, à primeira vista, poderia causar um sentimento de repulsa! Mas estava ocupada por ele, um Capuchinho pobre, humilde com todos, acolhedor, doce, afável, que se inclinava diante de todos, porque de todos se dizia devedor da graça de poder servir o Senhor Deus em cada um que vinha ter com ele. Cada pessoa partia de lá inundada de paz, da alegria de pos­suir a Deus, qual filho pródigo regressado à casa do Pai. A paz era o seu dom». Belíssimo testemunho, que resume muitos outros testemunhos palpitantes da jubilosa experi­ência da paz reencontrada.

Um seu biógrafo atento, anota: «O que continua a chamar a atenção de todos é aquela imagem que retra­tou para sempre a sua vida: um fradinho sentado, com a estola roxa sobre os ombros, o rosto emoldurado pela barba branca, os olhos semi-abertos como que a prote­ger o mistério de um segredo, a mão levantada com o gesto da absolvição sobre um homem que esconde o ros­to com as mãos, em ato penitente e serena contrição».

Não é esta imagem suficiente para encher a mente e, sobretudo, o coração?

O padre Leopoldo, homem, irmão Capuchinho, sacer­dote, confessor, amigo, mestre da vida: faces lapidares do preciosíssimo diamante trabalhado pela graça e pelo sofri­mento (que é pura graça), tornado luminoso pela intimi­dade com Deus e pelo amor filial à Virgem Maria.

Há criaturas humanas que jamais deveriam envelhe­cer; e, no entanto, envelhecem, mas ninguém se dá con­ta, porque se sente nelas uma presença afectuosa e acolhedora. Também o padre Leopoldo envelhece; torna-se cada vez mais pequeno e frágil; inúmeros sofrimentos aparecem-lhe ao mesmo tempo, sobretudo aquele horrível tumor no esófago.

Sao+Leopoldo+MandicAproxima-se a morte. São Francisco de Assis chamou-lhe «irmã»; também para o padre Leopoldo ela é «irmã», mas uma «irmã» exigente e severa, de quem ele não escon­de o medo: «Eu tive sempre medo da morte… Depois da morte espera-nos o juízo de Deus. E eu sou pecador. Queira o Senhor Deus ter piedade de mim».

Mas a irmã morte encontrou-o sereno a 30 de Julho de 1942.

Os funerais realizaram-se na igreja dos Servos; a mul­tidão era demasiado grande para a pequena igreja dos Capu­chinhos.

A fama de santidade do pequeno fradinho cresce de dia para dia. Fala-se com insistência de graças e prodígios.

O trajeto do padre Leopoldo, que o levou à glória dos altares, é breve: Paulo VI declara-o Beato a 2 de Maio de 1976. João Paulo II inscreve-o no Catálogo dos Santos a 16 de Setembro de 1983.

O seu sepulcro encontra-se hoje muito perto da sua cela-confessionário, poupada pelas bombas das incursões aéreas de 14 de Maio de 1943.

O padre Leopoldo profetizara: «A igreja e o conven­to serão destruídos pelas bombas, mas esta cela não: aqui usou Deus de tanta misericórdia para com as almas, que deve ficar como monumento da Sua bondade».

Da bondade de Deus e da fidelidade heróica do Seu pequeno servo!


Liturgia Diária

Evangelho: 5ª-feira da 28ª Semana do Tempo Comum

Santo: São Paulo da Cruz

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