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São Lourenço
de Brindes
Freis Capuchinhos do Paraná e Santa Catarina

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José de Leonissa – 04

2_4_Joseph of LeonissaRefulgem admiravelmente em São José de Leonissa a fadiga dos apóstolos e a glória dos mártires. Nele Deus exalta o espírito missionário, ambicionado ideal e singular coroa da jovem Reforma Franciscana Capuchinha. Com ele dá-se início àquela insaciável sede de almas que leva os novos e pacíficos conquistadores do Evangelho a todos os continentes: desde as longínquas e inacessíveis montanhas do Tibete até ao coração das selvas africanas, ou às recém descobertas Américas. Na verdade, esta epopeia missio­nária fazia exclamar com legítimo orgulho o autor do Martirológio Franciscano: «Os Capuchinhos, ainda mal tinham nascido, já se encontravam em todas as para­gens do mundo inteiro».

Nasceu em Leonissa (Rieti) a 8 de Janeiro de 1556. Deram-lhe um nome curioso: Eufrâmio.
          Conta-se que, em menino, para o adormecer, uma mão invisível lhe embalava o berço. Diz-se também que, certa noite, sua mãe foi acordada por uma bofetada vinda não se sabe donde: levanta-se, sobressaltada, e encontra o meni­no em estado de respiração ofegante e em perigo de mor­rer sufocado.
            Aos sete anos revelava sinais de uma alma ávida de penitência.
         Dotado de rara inteligência e grande amor à escola, fez rápidos progressos na aprendizagem das letras; maior amor, porém,24joseph7 devotava à vida de oração. Adolescente de 12 anos, sabia tanto ou mais que seus mestres. Todavia, quando se pensava confiá-lo a algum professor insigne fora da terra, ficou órfão de pai e mãe. Um tio sacerdote, muito sábio, que vivia em Viterbo, tomou a seu encargo a sua educação. O jovenzinho era dotado de uma memória prodigiosa. Certo dia teve oportunidade de a pôr à prova. Um aluno da Academia local fora indicado para proferir um discurso à seleta assembleia da cidade. Esperava-se um êxito retumbante tanto para o jovem orador como para os seus mestres. Mas forte indisposição impediu-o de comparecer. Que fazer? Um membro do Conselho lembrou-se de Eufrâmio. Este aceitou o convite saindo-se brilhantemente. Vieram as felicitações, fizeram-lhe lisonjeiros presságios, e veio também uma promessa de casamento: um ricalhaço ofereceu-lhe a mão de sua filha. Até seu tio con­cordava que era um ótimo partido. Mas a resposta veio com surpreendente franqueza: «O meu coração já está irrevogavelmente dado e consagrado ao Senhor».
     Entretanto, devido à árdua e diligente aplicação aos estudos, sofre um esgotamento. A fim de se restabelecer, os médicos aconselham-no a ir tomar ares para a sua terra natal. Foi providencial: em Leonissa havia um con­vento de fervorosos Capuchinhos. Pediu para ser admitido à Ordem. A idade era boa: 17 anos; a força de vontade era ainda melhor. Mandaram-no para um aprazível conventinho — «le Carcerelle» — situado na encosta do Subásio. Vai começar o ano da provação.
     Não mais se chamará Eufrâmio, mas José. O simples burel de capuchinho substitui a elegante vestimenta secu­lar. A sua nova carreira: a santidade. Mas estaria ele aí em sossego? Um parente brigão foi incumbido de o arran­car de lá, à força. Salta os muros do convento, precipita-se para dentro e grita furiosamente. O Guardião e o Mestre de noviços acorrem e tentam acalmá-lo. Não acei­ta explicações, enfurece-se ainda mais, enquanto puxa pela espada. Quer falar com José. É então que estala entre ambos uma tempestuosa discussão. «Que maluqueira te deu, seu parvo? Não te importas de desprezar uma bela oferta de casamento? De nada te importa um futuro radioso ? De nada te importa a honra dos teus parentes» ?
Mas o noviço, imperturbável, deixa falar… Então o tio agarra-o pelo braço e, através do claustro, arrasta-o até à porta. Lá fora estão preparados alguns amigos para o levar à força. Era demais: os frades intervêm e reconduzem para dentro o irredutível e sereno noviço.
O ano de provação foi ultrapassado com êxito. Quando Deus chama, a vitória é certa. O valoroso jovem pode finalmente emitir a profissão religiosa. Como neo professo, aprofunda a sua vocação e completa a sua formação nos estudos filosóficos e teológicos. Recebe finalmente o sacerdócio. Pode agora concretizar o seu grande ideal: pregar a Palavra de Deus ao povo, erradicar a sua ignorância religiosa e levá-lo à conversão e ao amor de Cristo. Um zelo apostólico sem fronteiras. Ao saber que o padre Geral pedira um grupo de missionários para Constantinopola, alista-se como voluntário. E parte.
     Durante a viagem, opera vários prodígios. A dado momento uma violenta tempestade ameaça afundar o barco. Aterrados, os marinheiros entram em pânico. Unicamente o padre José se mantem calmo e sereno. O fim parecia eminente. Então, ele põe-se de joelhos e eis que, como por encanto, serenam os ventos e o mar acalma. Outro tormento: o imprevisto atraso da viagem fez com que as provisões se esgotassem.
     O missionário sabe que ainda lhe resta no fundo da sacola um pedaço de pão duro. Prostra-se e, com fé inabalável, suplica a Deus renove ali o milagre do deserto. Prodígio! O pão multiplica-se e torna-se suficiente para lhes matar a fome.
     Finalmente chegam à grande metrópole do Oriente. Os pobres Capuchinhos vêem-se perdidos naquela desconhecida, infiel e grande cidade. «Senhor, guia os nossos passos». De repente, aproxima-se dele um jovem. O padre José reconhece-o: era um sobrinho seu, falecido há já algum tempo em Leonissa. Faz tenção de o seguir e guia-o através da cidade, até uma modesta capela, dedicada à Virgem. Depois desaparece. No dia seguinte, o primeiro pensamento do Santo é ir às prisões visitar os presos e consolar os escravos cristãos. Com o bálsamo da sua caridade dá coragem e esperança aos mais abatidos e amargurados. E assim transforma aqueles horríveis antros em mansões de paz.
     Contudo, uma meta ainda mais sublime o atrai: o martírio. Anuncia abertamente a Palavra de Deus. Era um atre­vimento ousado. O Governador intervém e manda-o prender. Com grande desgosto seu, pouco tempo fica na prisão. Insistirá de novo. «Porque não tentar a conversão do mesmo Grão-Visir?». Fá-lo mais que uma vez, mas em vão. Um dia decide enfrentar o Governador quando este se encaminha para a mesquita, precedido da sua guar­da. Mas os janízeros intervêm e mimoseiam-no com pan­cadas de alabardas. Depois agarram-no pela barba, atiram-no por terra e enchem-no de pontapés.
     De outra vez não teve melhor sorte. Por último, ousa franquear o palácio real. É preso e condenado à forca. Três dias e três noites permanece dependurado, de pés e mãos, em dois ganchos. Debaixo dele acendem uma foguei­ra. O fumo sufoca-o. Contudo, o mártir, apertando o Cru­cifixo, continua a pregar o Evangelho. A almejada palma do martírio poderia agora ser sua se, na terceira noite, um anjo não descesse a desprendê-lo do patíbulo, a restaurar-lhe as forças com pão e vinho milagrosos, ordenando-lhe regressasse imediatamente a Itália.
     Um acontecimento extremamente gratificante: a paci­ência, quase divinal, do padre José toca o coração dum bispo grego, que havia apostatado da fé em Jesus Cristo, para receber como prémio o governo duma Província.
     Volta de novo a Itália. Assis, terra de São Francisco, acolhe-o em triunfo. Os mais distintos cidadãos apresentam-se no convento para ver o valoroso confessor da fé. Mas os pacíficos caminhos do Evangelho chamam por ele. Depois de pregar toda a quaresma na catedral, com gran­de assistência e proveito espiritual, a pedido insistente do bispo, retoma a evangelização das aldeias. Acompanha-o o dom dos milagres. Tem de atravessar o rápido e cau­daloso rio Tronto: ora, estende a capa sobre as águas, sobe para cima dela, e, com o companheiro, atinge a outra mar­gem. É preciso subir ao cume de um pico para colocar uma cruz. O companheiro chega, desidratado, sedento, devido ao calor. O Santo ora e da rocha jorra um veio de água, que nunca mais secará.
De ordinário — dizia — operava os prodígios por inter­cessão dos anjos. A estes bem-aventurados seres atribuía a imunidade de perigos graves em situações de risco.
     A sua caridade para com os pobres tinha a ternura e o desvelado sacrifício com que uma mãe cuida dos seus filhinhos. Não podendo dar outras coisas, descosia e dava pedaços de hábito. E, quando, nas longas pregações, fica­va de noite no Hospício, construído pelo povo para os pregadores, se algum pobre batia à porta, dava-lhe volun­tariamente a sua refeição e a sua pobre encherga.
     Verdadeiro anjo da paz, intervinha nas contendas, de Crucifixo nas mãos, muito frequentes entre partidos rivais, indiferente às pedradas que zuniam à sua volta. Só se reti­rava quando o tumulto já estava apaziguado e a discórdia acalmada.
     Bondade extrema, mas não fraqueza de carácter, já que enfrentava com decisão a maldade. Informado de que em certo lugar se apresentavam espectáculos obscenos, ali comparece em nome de Deus: só em vê-lo acabaram com tais obscenidades. Noutra ocasião contaram-lhe que se iria realizar um baile de carnaval e, para cúmulo, em casa do Presidente da Comuna. Dirige-se para lá. As portas do Castelo encontram-se fechadas, mas abrem-se à sua pre­sença. Entra. Com surpresa geral, todos acabam por lhe prestar homenagem. A fim de o deixar livre para o anún­cio do Evangelho, os Superiores não lhe confiavam car­gos de autoridade. Mas não tinham os religiosos o direito de aproveitar e aprender com a sua presença e os seus exemplos? Por obediência aceita humildemente o cargo de Guardião, mas libertam-no das preocupações económicas. E todas as vezes que o julgasse oportuno, alguém o subs­tituiria no serviço pastoral da Fraternidade. A oportuni­dade chegou. Um certo senhor tinha trazido consigo três muçulmanos e queria fazer deles bons cristãos. O padre José vai ter com os três escravos e, como falava perfei­tamente o turco, assume a responsabilidade da sua instrução catequética.
666948777_tp     Era na verdade um Superior modelo: o seu hábito era o mais usado e gasto; o seu quarto, o mais pobre e aus­tero; sabiam-lhe a céu os alimentos estragados, e para ele eram sagradas as privações.
     Era modelo de obediência: caía de joelhos, beijava a terra, como que enlevado, quando recebia uma ordem; e tudo executava com fidelidade, venerando nos superiores a autoridade de Deus.
     Profunda e intensa a sua vida espiritual: dedicava ao Sacrário todos os momentos livres; tinha esmerado cui­dado com os altares e os vasos sagrados; ele próprio lim­pava a igreja e ornava-a de flores; na celebração dos divinos Mistérios mais parecia um anjo. Em Monreale (Áquila), terminada a Santa Missa, enquanto depunha os paramentos, o pároco, estupefacto, viu por detrás de seus ombros uma luz refulgente.
     Ao terminar o cargo de Guardião, o padre Francisco de Bevagna (Perúgia), Provincial da Úmbria, escolheu-o para seu secretário, para poder usufruir da sua sabedoria e conselho.
     Era verdadeiramente um homem de Deus. Tudo, no entanto, chega ao fim, e mais depressa para quem é bom. Ao terminar o seu mandato, despediu-se do seu Provin­cial com estas misteriosas palavras: «Abracemo-nos pela
última vez. Não teremos a alegria de nos voltarmos a ver. Um acidente porá fim, muito em breve, à vida de algum de nós; o outro passará à Glória dentro dum ano».
     Falava um Santo. Poucos dias depois, o padre Fran­cisco retirou-se para o convento de Lugnasco (Rieti). Deu uma gravíssima queda e expirou poucas horas depois; o padre José morrerá no mês de Fevereiro seguinte. Voltou mais uma vez a Leonissa, para dizer o último adeus aos familiares, retomando depois o caminho em direcção ao convento de Amatrice (Rieti). Segue-o um numeroso gru­po de pessoas. Chegado à colina de São Cristóvão, pôe-se de joelhos, toma o Crucifixo, volta-se para a sua terra natal e, chorando mais de uma vez, dá-lhe a sua última bênção.
     Pouco tempo depois foi acometido de febre contínua com fortes dores de cabeça. As chagas, abertas no corpo, devido aos instrumentos de penitência, ganharam gangre­na. Segundo o parecer dos médicos tornava-se urgente uma intervenção cirúrgica. Eram dolorosíssimas as operações naquele tempo. Os cirurgiões quiseram ligá-lo, mas o homem de Deus recusou: «Deixai-me o Crucifixo: é Ele a mais forte ligadura para me apertar». Enquanto os fer­ros cortavam, ouvia-se repetir: «Santa Maria, socorro dos aflitos». Nenhuma ligadura, nenhum grito de dor. No dia seguinte verificou-se que a carne não tinha sido suficien­temente cortada em toda a sua profundidade. Mesmo assim permaneceu inalteravelmente paciente. Era a sua enorme força moral e espiritual que o levava a celebrar a Santa Missa ainda por algum tempo. Contudo, o mal alastrava. Devia agora contentar-se em receber, cada manhã, a sagra­da comunhão.
     Passava longas horas em meditação e contemplação, estreitando o Crucifixo entre as mãos. Invocava a Virgem Maria, com edificante confiança, o seu Santo Padroeiro, o Anjo Custódio e o Seráfico Pai São Francisco.
    A três de Fevereiro de 1612, recebe o Santo Viático, pedindo que o deixassem só até à meia-noite. No dia seguinte, pelas três horas, manifestou ao padre Guardião o desejo de receber a Santa Unção. A partir de agora o desenlace era uma questão de horas. Adormeceu até à hora de Vésperas, para acordar ao toque da sineta. Olha à sua volta e, fixando o Guardião, exclamou: «Que felicidade para mim morrer ao sábado». Pediu a um religioso para rezar com ele as Horas Menores. Ao Oremos de Prima: «Santa Maria e todos os Santos», foi arrebatado em êxta­se. Ao voltar a si disse que desejava junto de si o Supe­rior. Pede perdão a todos; fixa por longo tempo o seu olhar no alto; profere, perceptivelmente, as palavras do Apocalipse: «Eis que venho; venho depressa»! E, dando a impressão que adormecia placidamente, voou com os Anjos para a Glória. Tinha 60 anos.
     Pelo seu rosto envelhecido perpassou uma brisa juve­nil e uma sobrenatural beleza o envolveu. O seu corpo flexível exalava um celestial perfume. O cirurgião, que o tinha operado, inclinou-se para examinar aquele cadáver que desafiava as leis inexoráveis da morte: ao primeiro contacto com os sagrados restos mortais, uma ferida, fei­ta durante a operação, cicatrizou no mesmo instante. Era a resposta do Santo a quem lhe tinha abreviado, devido às dilacerantes operações, o caminho para a pátria celestial.
     Os seus restos mortais foram transladados do conven­to de Amatrice para Leonissa, sua terra natal, onde não cessou de dispensar graças e milagres.
     Foi beatificado por Clemente XII em 1737. Nove anos depois, a 29 de Junho de 1746, Bento XIV incluíu-o no catálogo dos Santos.


Liturgia Diária

Evangelho: 5ª-feira da 28ª Semana do Tempo Comum

Santo: São Paulo da Cruz

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