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São Lourenço
de Brindes
Freis Capuchinhos do Paraná e Santa Catarina

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João Batista Souzi -18

Beato João Luiz Loir

 

01Entre os 800 padres e religiosos trucidados em 1794 na ilha de Aix (França), estavam também diversos frades capuchinhos. Seriam deportados para a Guiana, mas os veleiros que cruzavam as costas francesas impediram esta viagem e muitos deram a vida por amor da fé. Este sacrifício foi reconhecido como graça do martírio a 1º de outubro de 1995 por João Paulo II para João Batista Sousa de Besançon, Protásio de Sées e Sebastião de Nancy, dos quais agora queremos brevemente narrar a história.

 

João Batista (era este o seu nome de batismo) nasceu a 11 de março de 1720, em Besançon, filho de João Luiz Loir e Elisabeth Juliot, sexto de oito filhos e foi batizado no mesmo dia. O pai, parisiense, era diretor e tesoureiro da Casa da Moeda de Borgonha de Besançon e em 1730 foi eleito diretor da mesma em Lion, onde foi morar com toda a família e onde o filho João Batista fez os seus estudos. Aos 20 anos, no mês de maio de 1740, se fez capuchinho no grande convento da cidade e toma, com o hábito, o nome de Frei João Luiz. Professou aos 09 de maio de 1741. Em Lion, os capuchinhos moravam em dois conventos, um chamado São Francisco e o outro Santo André. Nestas duas casas o futuro mártir transcorre a maior parte da sua vida religiosa.

 

Registramos aqui o testemunho de um abade que conheceu Frei João Luiz: “Dotado de todas aquelas virtudes que o poderiam tornar recomendável, ele jamais quis aceitar algum cargo, dizendo que entrara na Ordem não para comandar, mas para obedecer, não para dominar, mas para ser submisso. Dedicando-se, com humildade, à salvação das almas, exercitou o ministério da confissão com fruto e infatigavelmente. Não existia missão organizada por seus confrades, na qual ele não prestasse o seu zelo. O povo simples e os pobres eram os seus prediletos”.

 

Tinha 74 anos quando os revolucionários franceses obrigaram os padres e religiosos, em 1791, a prestar juramento da constituição civil do clero. Frei João Luiz se encontrava no convento de São Francisco quando a assembléia constituinte ordenara o inventário das pessoas e dos bens de cada casa religiosa. Ele declarara que queria permanecer na Ordem. Mas em outubro deixou Lion e foi para Bourbonais em Précord, no castelo onde morava sua irmã Nicole Elisabeth com o filho Gilberto de Grassin e onde também duas sobrinhas irmãs dominicanas encontraram refúgio. No dia 30 de maio de 1793, sem motivo, todos os moradores do castelo foram levados para Moulins, onde 66 padres estavam reclusos, parte na prisão e parte no antigo mosteiro Santa Clara. No elenco dos eclesiásticos que não haviam prestado juramento figurava também o Frei Loir. A sua idade o teria livrado de ulteriores sofrimentos se não fosse o terrível acordo ateístico dos fins de 1793, que permitia tacitamente a eliminação dos anciãos eclesiásticos que, de fato, foram transportados, muitos deles doentes, em três expedições diversas, até Rochefort. Frei João Luiz deixou Moulins aos 12 de abril de 1794, na terceira expedição, com 26 deportados, canônicos, curas, trapistas, capuchinhos, outros franciscanos e irmãos das Escolas Cristãs. Durante o trajeto, escoltados, foram ajudados pelo povo. Chegaram a Rochefort no fim de abril. Indagados sobre tudo, foram amontoados sobre duas naus ancoradas naquela costa de mar.

 

A nau na qual foi colocado o Frei João Luiz se chamava “Deus-Associés”. Eram 400 deportados em estado que causava piedade. Era o verdadeiro suplício da fome, ao qual se ajuntavam outros terríveis tormentos de caráter higiênico-sanitário, sem remédios, e os insultos dos marinheiros. Mas o tormento pior eram as horas noturnas. Todavia, a pena maior era não poder ter nem breviário nem outros livros de piedade e nem poder rezar juntos.

 

Estes eram os sofrimentos do Frei João Luiz. Mas o seu caráter vivo e alegre infundia coragem nos companheiros de desventura. Um dos sobreviventes testemunhou que o capuchinho “embora sendo um venerável velho, se tornara a alegria de todos. Ele cantava como um jovem de trinta anos procurando assim aliviar os nossos sofrimentos, escondendo os seus que o estavam consumindo. Ele morreu serenamente como sempre vivera. Na manhã do dia 19 de maio de 1794 encontraram Frei João Luiz morto, de joelhos, no seu lugar. Ele foi o primeiro dos 22 capuchinhos que morreram em Rochefort”.

 

Ó Deus, ao comemorarmos a paixão dos vossos mártires João Luiz Loir, Protásio Bourdon e Sebastião Francisco, dai-nos a alegria de ver atendidas as nossas preces, para imitarmos sua firmeza na fé. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, nosso irmão, na unidade do Espírito Santo. Amém.


Liturgia Diária

Evangelho: 5ª-feira da 28ª Semana do Tempo Comum

Santo: São Paulo da Cruz

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