Província
São Lourenço
de Brindes
Freis Capuchinhos do Paraná e Santa Catarina

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Inácio de Santhiá – 22

anignaciodesanthiaEra tão grande a convicção que transparecia na humilde atitude e na voz do jovem sacerdote, que o Provincial dos Capuchinhos de Turim, sem objeções a opor, alegremente o recebeu na Ordem.
De fato, em Maio de 1716, o padre Lourenço Maurício Belvisotti, com 30 anos de idade — nascera em Santhià (Vercelli) a 6 de Junho de 1686 — e com seis anos de sacerdócio, piedoso, culto e estimado, tornou-se noviço Capuchinho, tomando o nome de Frei Inácio. Tanto os seus conhecidos como os seus familiares nunca chegaram a compreender esta opção misteriosa da sua vida. Um seu irmão tem vontade de se encontrar com ele, certo de que o convencerá a voltar atrás na sua decisão. Mas Frei Inácio sentia-se feliz e tinha encontrado finalmente a paz, porque estava certo de estar a fazer a vontade de Deus.
Nos cinquenta e quatro anos de Capuchinho, continuou sempre a viver este seu compromisso de humildade e de obediência.
Pelo espaço de doze anos, após a sua profissão religiosa, foi enviado para vários conventos com os mais diversos encargos; estava sempre disponível para qualquer trabalho.
Com ele, os Superiores estavam sempre descansados e seguros. Era uma bênção e uma consolação para todos. A sua presença irradiava alegria.
Em 1727 é destinado ao convento Del Monte de Turim, primeiro com o encargo de sacristão, depois com a missão de confessor.
Foram tempos em que deixou de haver aranhas e pó na igreja: tudo estava em ordem e limpíssimo. O seu coração exultava: que felicidade poder passar o dia na presença do Santíssimo Sacramento e cuidar da Casa do Senhor. Era um religioso sempre disponível para os penitentes. A todos acolhia com inesgotável paciência. Bem depressa se tornou o «padre dos pecadores e dos desesperados».
Os Superiores convenceram-se de que ele poderia ser um ótimo Mestre de noviços. Em 1731 confiaram-lhe, efetivamente, um novo serviço: Vigário da Fraternidade de Mondoví e Mestre de noviços. Todos rejubilaram com a nomeação. Ele é que não. Mas era a obediência. E pôs mãos à obra. Será Mestre de noviços pelo espaço de 14 anos. E bem depressa se revelaram os seus admiráveis dotes de educador.
A sua pedagogia era simples mas exigente: amar divinamente e preceder com o exemplo. Praticava e ensinava. Tudo o que dizia podia ser pontualmente verificado no seu comportamento. Mais ainda: fazia muito mais do que aquilo que dizia.
Caminhava com os jovens no seguimento de Cristo, fascínio e ideal supremo de vida. E era sempre Jesus o tema predileto dos seus discursos, das suas instruções: Jesus meditado e vivido na ótica e na experiência franciscana.
A sua pedagogia era viva, imediata, convincente e exigente.
«Acompanhava os noviços um por um; queria conhecê-los a fundo, possuir a chave do seu coração para os poder guiar, corrigir, inasanthiaformar».
Queria que eles tivessem convições profundas. Insistia muito na obediência. Dizia: «Nada podemos oferecer de mais agradável a Deus do que a nossa obediência». Em tudo isto era muito ajudado pela sua própria experiência de vida.
Tinha um olhar particularmente penetrante para discernir os estados de ânimo e as dificuldades. Adaptava-se a cada um. Sabia esperar as ocasiões oportunas para inter¬vir com eficácia. Quando era necessário intervinha com decisão, mas sempre com a máxima discrição. Contam-se dele muitos episódios, que recordam e têm o sabor das «Florinhas».
Educação austera, proposta e concretizada com doçura e paciência: «Nós, religiosos, deveremos saber que a doença, a cruz, as contradições são visitas de honra e de bondade que Deus nos faz… Requere-se paciência».
Todos se apercebiam de que não dizia palavras aprendidas nos livros.
Foram cento e vinte e um os noviços do frei Inácio que professaram. E todos foram ótimos religiosos.
A têmpera de que era feita a espiritualidade do frei Inácio veio de cima em 1744. Um confrade missio¬nário, que tinha sido seu noviço, escreve-lhe, angustiado, e conta-lhe a sua mágoa: uma grave doença da vista esta¬va paralisando o seu trabalho apostólico. Pedia orações.
O padre Inácio, sem hesitar, faz a sua oferta: «Senhor, se é da Vossa
Estava já resignado à sua condição de cego, quando os Superiores o transferiram para Turim, a fim de se fazer uma derradeira tentativa de cura. Deu-se bem por lá. Não se curou, mas obteve notáveis melhoras.
A sua presença era urgentemente requerida, em virtude da dramática situação em que se encontrava o Pie¬monte, então invadido pelas tropas franco-espanholas.
stoinacioO rei Carlos Manuel III pedira ajuda aos Capuchinhos para a assistência espiritual aos soldados feridos e doentes. O padre Inácio tornou-se o capelão-chefe.
Às infelicidades da guerra juntaram-se as epidemias. Muitos Irmãos Capuchinhos perderam a vida no cumprimento generoso da sua missão de caridade. O frei Inácio pôde regressar incólume ao convento em 1746. Foi-lhe então confiado o cargo de confessor na igreja Del Monte. Aqui ficou até à morte, durante 24 anos.
Também pregava retiros e exercícios espirituais aos confrades. Não perdia qualquer ocasião para socorrer e confortar os doentes. Dizia: «O lindo Paraíso não é para os preguiçosos. Temos de trabalhar sempre»!
_ Não se poupava a trabalhos, mas era um verdadeiro contemplativo. Respirava oração: uma mão levantada para absolver e abençoar, outra com o terço. O amor à Virgem Maria dilatava-lhe e alegrava-lhe o coração.
A cada passo era surpreendido em êxtase, abstraído da terra. Contam-se dele fatos prodigiosos.
Mostrava-se sempre sereno e sorridente, mesmo no meio de grande sofrimento. E sempre impreterivelmente obediente. Para ele, qualquer sugestão ou palavra dos Superiores era uma ordem. Ficava visivelmente triste quando era objeto de estima e de atenções. Mas sentia-se feliz com as crianças, que o amavam e carinhosamente lhe faziam festinhas. Como não querer bem a um fradinho tão simples e amável? Ao vê-lo, interrompiam as suas brincadeiras correndo ao seu encontro para lhe beijar o cordão e lhe pedir a bênção.
— Transportado à enfermaria, dizia: «Eis a bela vida que aqui levo: comer, beber e dormir. Oh, a bela vida ociosa»! Eram muitos os seus males.
Viveu na obediência e morreu na obediência.
santhia— Em fins de Setembro de 1770, o frei Inácio estava prestes a acabar-se. Recebe os Sacramentos; pede perdão a todos. Só lhe falta exalar o último suspiro.
A dado momento da noite, correram a chamar o padre Superior: «Depressa, que o frei Inácio vai morrer!»
Não, o frei Inácio não morrerá sem permissão do Superior.
«Parte, alma cristã, deste mundo…». O simpático velhinho expirou serenamente, a 22 de Setembro de 1770.
«Morreu o santinho Del Monte». A notícia correu célere e espalhou-se rapidamente. A multidão é indescritível. Toda a gente está comovida e reza, mas com a certeza de ter um amigo no Céu.
Paulo VI declarou-o Beato a 17 de Abril de 1966.


Liturgia Diária

Evangelho: 5ª-feira da 28ª Semana do Tempo Comum

Santo: São Paulo da Cruz

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