Província
São Lourenço
de Brindes
Freis Capuchinhos do Paraná e Santa Catarina

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Flórida Cévoli – 12

b.floridacevoliVocê não o conseguirá, foi o prognóstico, drástico e seco, que o Grão Duque Cosme III fizera quando informa das intenções de Lucrécia Helena Cevoli, convicta de se consagrar completamente a Deus. O Grão duque estava certo de que a jovem, filha do conde Curzio e da condessa Laura de Seta, habituada a toda espécie de segurança, não saberia superar a dureza de uma vida áspera e austera como aquele que queria empreender. Contudo, atravessando , na primavera de 1703, o portal do mosteiro das capuchinhas de Cittá di Castelo, a jovem, sem os dezoito anos completos (nascera na cidade de Pisa no dia 11 de novembro de 1685), não voltaria jamais para trás.

Por certo, o Grão Duque tinha um pouco de razão. O impacto com o mosteiro fora mais duro do que o previsto, as irmãs pareciam hostis e a mestre, Verônica Giuliani dava a impressão de não querer recebe-la. Conseguiu superar aquele terrível momento porque sua vocação era autêntica, e isso a fortaleceu na vontade e lhe deu constância necessária para manter-se firme em sua intenção. Soube, sobretudo, dar provas de humildade e desejou sinceramente fazer penitência. Colocou-se sob uma dura ascese, que a levava a pedir por si mesma, outras austeridades além daquelas (não poucas) que já estavam previstas para o ano de noviciado. Nos séculos XVII-XVIII (eram outros tempos) um noviço ou noviça deviam enfrentar uma disciplina duríssima e por qualquer coisa podia ser colocado fora da porta; a humildade era uma das virtudes mais inculcadas, e não se hesitava de humilhar em publico os noviços; e era muito forte, nos candidatos, o medo de não ser admitido a profissão dos votos.

Não é fácil hoje entender os critérios formativos daqueles tempos, tão distante dos nossos. Outros tempos, outra pedagogia; e no entanto, ela produziu tantos santos. Noviços e noviças se submetiam sem reagir, e mesmo com entusiasmo e fervor, a uma disciplina que hoje seria considera excessiva e insuportável. É significativo isso no caso de Flórida, que ao término do ano de noviciado, pediu para faze-lo por mais um ano. Este rigoroso caminho ascético não era um fim em si mesmo; nas personalidades mais puras tinha o efeito de fogo purificador, e queimando as escórias levava as almas a subir na oração. Uma sede de contemplação, nunca extinta, dominou a vida inteira da jovem de Pisa, agora irmã Flórida, que se tornava fervorosa sustentadora do mais rigoroso ideal franciscano.

E contudo, não seria ela marcada pela grandeza de contemplação, mas porque mulher dotado de pulso, hábil e capaz no governo. As irmãs logo perceberam sua personalidade e lhe confiaram , ainda que jovem, o encargo de supervisora da disciplina da comunidade. Isso lhe deu a possibilidade de ter o pulso concreto da situação: o mosteiro, não estavam bem de acordo com o espírito rigoroso de Santa Clara, e uma interpretação branda da regra facilitava não pouco muitas acomodações.

A irmã Verônica (santa) era excelente na oração, irmã Floria tinha mais espírito e mais coragem… assim, com clareza meridiana, foi o testemunho dos dons pessoais das duas irmãs de uma religiosas da comunidade. Em 1716, quando Verônica Giulaini foi eleita abadessa, Floria, que no momento completava 31 anos, lhe foi dada como vigária. E enquanto a abadessa se dedicava mais ao campo espiritual, voltada às alturas vertiginosas da mais alta contemplação, a vigária fazia acontecer, de acordo com a madre, a vida doméstica, encarregando-se das tarefas concretas, enfrentando as pequenas e grandes dificuldades da vida, cuidando com grande atenção, das relações humanas.

Verônica permaneceu como abadessa ao longo de onze anos floridaconsecutivos, isto é, até a morte, acontecida em 1727. sucedeu-lhe no cargo a irmã Flórida, que guiou o mosteiro até 1736, continuando o trabalho iniciado. Sem solavancos violentos, empreendeu com mão segura, forte e suave, uma progressiva mudança na vida comunitária, certa de que os ideais propugnados pelos fundadores deveriam acontecer numa vida ordinariamente fiel, numa santidade que se substanciava não tanto em grandes momentos, mas no fazer bem as coisas de cada dia. Não lhe faltaram contrariedades, que quem assume tais encargos deve espera-las se for inimigo de concessões. Mas soube supera-las com a sua força de vontade, que a sustentou, firme, no conduzir à realização os seus projetos.

Despertava encanto nas religiosas, a coragem e a naturalidade, ao mesmo tempo, com que a abadessa, crescida em ambiente aristocrático e que, com freqüência recebia visita de nobres senhoras, executava os serviços mais humildes da casa. Uma personalidade forte, como a sua, não podia não impressionar suas co-irmãs, que lhe confiavam sempre encargos de responsabilidade: após nove anos de abadessa, foi lhe confiado o encargo de mestra das noviças, depois, voltou a ser abadessa, vigária, alternando-se em tais encargos até o dia de sua morte. De seu sábio governo, sustentado pela praticidade e bom senso, viveu o mosteiro, no qual funcionava também uma lojinha onde se oferecia à venda trabalhos das irmãs para auto-sustentação.

Não lhe faltaram os sofrimentos do oficio e uma espécie de herpes que lhe marcava com dolorosos pruridos ao longo de vinte anos, mas que ela vivia na calma sem que as demais se dessem conta. Mesmo nesta situação Flórida se dava o direito de exceções, enfrentando assim o martírio a conta gotas.

b_FloridaCevoliCapaz e concreta, deu provas de sua intuição e da sua sagacidade em algumas iniciativas em relação à sua antiga mestra Verônica Giuliani: Foi a irmã Florida que favoreceu a introdução da causa de beatificação de Verônica, e foi ela, que decidiu, em 1753, erguer um novo mosteiro na casa dos Giuliani, em Mercatello.

Mulher prática e de forte determinação: tal se mostra ela mesma, pratica e de caráter, em algumas das suas cartas relativas à construção do mosteiro em Mercatello, em 1754, dando ordens práticas sobre o aproveitamento do prédio antigo. Ao pároco, escrevia em fevereiro de 1755, reclamando de ter lhe pedido dados concretos de um certo trabalho,no tempo do advento do ano anterior; e “já passou o advento, há dois meses, e passou o carnaval e ainda não tenho sequer uma linha e nem do senhor capelão. Mas que é isto? Estão vivos ou estão mortos?”

Por ocasião de sua morte, após trinta e sete dias de febre forte, no dia 12 de junho de 1767, ao se examinar o cadáver verificaram-se alguns sinais prodigiosos em seu peito testados por um médico que se fizera presente.

Estes fatos são o depois; constituem uma outra história escrita pelo dedo de Deus para vantagem de outros, a fim de que se aprendesse a lição de uma existência extraordinária vivida sob a normalidade do dia a dia. A irmã Flórida é super-atual pelo que ela nos passa. Neste quotidiano absurdo e caótico, bombardeado por mensagens constraditórias, a Clarissa capuchinha nos recorda a grandeza da santidade ferial, dos dias da semana, o valor da fidelidade constante e da oração continua, o heroísmo de fazer bem cada coisa de cada dia, aceitando também as dificuldades que não buscamos. Porque o evangelho tem razões que a vida do mundo não encontra.

Em nosso século tornaram-se mártires, frequentemente desconhecidos, quase soldados desconhecidos da grande causa de Deus… Não deve ser perdida pela Igreja o seu testemunho (Tertio Millenio Adveniente).
Oração

Ó Deus, concedei-nos, pelas preces da Beata Flórida Cévoli, a quem destes perseverar na imitação de Cristo pobre e humilde, seguir a nossa vocação com fidelidade e chegar àquela perfeição que nos propusestes em vosso Filho, que convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo. Amém.


Liturgia Diária

Evangelho: 5ª-feira da 28ª Semana do Tempo Comum

Santo: São Paulo da Cruz

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