Província
São Lourenço
de Brindes
Freis Capuchinhos do Paraná e Santa Catarina

CÚRIA PROVINCIAL:
Rua Alcides Munhoz, 190 - Caixa Postal: 18.833 - CEP 80410-980 - Curitiba, PR
Tel.: (41) 3335 2323 / Fax: (41) 3335 1087

Fidélis de Sigmaringa – 24

O Capuchinho São Fidelis de Sigmaringa é o primeiro mártir da «Propaganda Fide»  Congregação fundada por Gregório XV, em 1622, na festa da Epifania. Ele é sobre­tudo o glorioso protetor e o modelo dos nossos missio­nários.
fidelisNasceu em Sigmaringa (Sudoeste da Alemanha), em 1577 (1578, segundo Pastor), onde o pai tinha sido burgomestre. Após uma risonha infância, parte com seu irmão, que mais tarde seria também seu companheiro de vocação, para Friburgo (Baden), a fim de frequentar os cursos daque­la famosa Universidade. Diante dele abria-se um horizon­te fulgido de esperança. Em ordem a completar a sua cultura, acompanha ao estrangeiro os filhos de uma famí­lia rica, visitando a Itália e a França. O guia não podia ser mais seguro nem o mestre mais sábio e iluminado. Aquela longa viagem serviu-lhe não só para aprender melhor o italiano e o francês, como também lhe brindou a oportunidade de visitar os mais famosos santuários. Apro­fundará ainda mais a sua já séria e vasta formação reli­giosa; inscreverá o seu nome em várias Irmandades; dedicar-se-á a obras de apostolado e de beneficiência; sen­tirá o desejo de se mortificar e de fazer penitência.
Regressado à pátria, tira a sua formatura em Direito e, inscreve o seu nome no quadro dos advogados. A sua honestidade moral e a sua valentia abrem-lhe as portas de uma carreira brilhante no mundo. É admirado, estimado e solicitado. Especialmente em Ensihein (Alsacia), obterá retumbantes e lisonjeiros sucessos. Mas não se deixa encandear pela glória. É uma personalidade que trabalha e refle­te; é um jovem profundamente apaixonado pelo Direito, mas preocupado, acima de tudo, em preservar a sua inte­gridade moral. Bem depressa, no entanto, se dá conta dos riscos da sua carreira e da vida forense.
O mundo é perverso, os seus aplausos e triunfos não lhe enchem o coração!
Iluminado pela graça de Deus, de coração puro, o jovem abre os olhos para outros horizontes: os horizontes da bondade e da glória de Deus. Decide, como Francisco de Assis, deixar a glória e as riquezas mundanas, para seguir os passos de Cristo. Pede para entrar no convento: era o ano 1611. Angustiante dúvida o atormenta: «Poderá ele, advogado já célebre e homem maduro, preparar-se, adaptar-se, humilhar-se as exigências do convento e de uma vida em Fraternidade»?
Os superiores também duvidam e, para não lhe tirar a esperança, adiam a sua entrada. Mas a sua vocação era autêntica, e quando o Senhor chama não há obstáculos intransponíveis. Resignar-se-á com aquele contratempo, mas, sempre confiante, aproveitará a demora para pensar no sacerdócio. Ei-lo de novo a bater e a pedir para entrar: «Acabaram-se todas as dúvidas; custe o que custar, a minha meta é ser sacerdote de Cristo».
fidelis_SigmaringenAltodorf, Noviciado dos Irmãos Capuchinhos. Os seus colegas noviços andam pelos 15 anos; ele vai já nos 34. Contudo, não se sentirá desorientado. Assim procurará tri­lhar melhor o caminho da bondade, do amor fraterno, da disponibilidade e da obediência. O padre Ângelo de Milão, ao dar-lhe o nome de Frei Fidelis, dirige-lhe calorosa exor­tação: «Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida» (Apocalipse). E na capa do Breviário, e no seu quarto, o futuro mártir se apressará a escrever: «Lembra-te do  dia em que saíste do Egito».
Durante o noviciado escreve um livrinho de «Exercícios» sobre este tema dominante: ser todo de Deus, não viver senão para Ele, nenhuma outra preocupação senão a de lhe agradar; na procura e no reencontro com o Sumo Bem está a felicidade perfeita. Precioso Opúsculo, cuja lei­tura dará luz e coragem a muitos dos seus Irmãos.
Ordenado sacerdote, entrega-se de alma e coração ao ministério pastoral. Era dotado de invulgares qualidades: vida íntegra, competência e dons de grande orador. Por isso, em pouco tempo, obtém inesperados êxitos. É um trabalhador incansável, sempre em permanentes viagens apostólicas. Não havia tempo a perder: os protestantes semeavam por toda a parte a sua doutrina e teciam as suas intrigas. «Nenhum habitante de Feldkirch (Voralberg) — afirmará o primeiro Magistrado — recorda jamais ter ouvi­do pregador tão penetrante e eficaz».
Infelizmente, aquela cidade austríaca fronteiriça e seus arredores eram verdadeira terra de missão: a corrupção moral alastrava em todos os estratos sociais. Duro e árduo apostolado, mas o padre Fidelis não teme. Depois de ter fala­do dos Novíssimos, de ter apelado à conversão e ao arre­pendimento, investe um dia contra o luxo e a imoralidade; outro, contra as injustiças, a vingança, o ódio, a violação das leis. Esbarra com oposições, presente intenções de ameaça, mas as autoridades vão-no deixando andar livre­mente. Chegam a condená-lo em público, recriminando-o de imprudente. Até as damas de alta sociedade o apodam de retrógrado.
Por outro lado, o seu coração ardente de missionário colhia exuberantes e consoladoras compensações: as con­versões eram sempre numerosas; os pobres saudavam-no como seu defensor; e todos os que eram honestos o pro­clamavam como o anjo da paz, conselheiro do povo, pai da pátria.
Tempos difíceis aqueles: quantos crimes cometidos em nome da liberdade, desejada por uns só para si, mas nega­da para os outros! Os protestantes, bem protegidos pelos poderosos, encontrando clima favorável na corrupção em voga, difundiam rapidamente as suas doutrinas, fazendo tábua rasa de longos séculos de civilização e de paz. Infiltraram-se também em Prattigau (temível e encantador vale de Rezia, próximo e paralelo a Volberg), tendo per­vertido aqueles rudes e obstinados montanheses. O padre Fidelis irá lá vencê-los com força da Palavra de Deus. E obtém os primeiros frutos reconfortantes: certo calvinista faz, nas suas mãos, a renúncia à heresia, regressando à Fé Católica. Com ardorosas palavras, mas sobretudo com a autoridade, o testemunho de vida e incríveis sacrifícios, conseguia opôr-se à torrente devastadora.
Mas, até quando o deixariam em paz? Não se muda­ria em ódio a humilhação e a derrotada dialética dos ini­migos? Eis que um dia decidem desembaraçar-se dele. Aquele capuchinho, e intrépido missionário, tinha os dias contados. Dentro em pouco não o encontrariam mais no seu caminho e, finalmente, reduziriam ao silêncio aquela voz incómoda.
Após um conciliábulo ainda mais iníquo, maquinadas as formas de o liquidar, separam-se aos gritos: «Morte! Morte ao padre Fidelis. Tem de morrer». Apunhalaram um gentil homem, que se tinha aproximado do missionário para abjurar da heresia, e encontraram-lhe no bolso este folhe­to: «Atenção! Avisai o padre Fidelis e os outros Capuchi­nhos de que se trama contra eles uma sanguinária conjura». Era o primeiro mês de 1622.
Entretanto, a recém criada Congregação da Propagan­da da Fé, em parte devido ao zelo apostólico do nosso padre Jerónimo de Narni, nomeia o intrépido missionário como chefe da missão dos Grijões, cantão muito popu­loso, abrangendo o Pratigau, cuja capital é Coira.
Ali lhe estará reservada a palma do martírio. Ele confidenciara a um amigo da infância: «Nos Grijões encon­trarei a morte certa».  Em seguida acrescentou: «A obediência envia-me aos Grijões: eu estou preparado. Tal­vez já não nos vejamos mais neste mundo, mas não importa. Com a graça de Deus nos veremos ainda e para sempre no Céu».
A 24 de Abril, logo de manhã, confessa-se. Celebra a Missa com tal fé e piedade, que surpreende os assis­tentes. E, após a habitualSão Fidélis de Sigmaringa ação de graças, sobe ao púl­pito e dirige um inflamado sermão aos soldados (eram mercenários austríacos, e o seu comportamento influem-ciara muito a insurreição dos camponeses). De repente pára, empalidece, e fica como que meditabundo. Poucos instan­tes depois, os seus olhos vivíssimos voltam-se para o Céu. Eis que recobra o ânimo e, com eloquência arrabatadora, continua a sua admirável prédica. Terminado o sermão, recolhe-se diante do altar em férvida e longa prece: era a preparação para a iminente e gloriosa prova. Aquele tem­po de união com Deus dá-lhe novo vigor e firme intre­pidez. Levanta-se, decidido a enfrentar os inimigos da Fé. Esperavam-no em Seewis. Aqui chega, acompanhado de oficiais e soldados. A igreja estava apinhada de gente. São 9 horas. Sem demora sobe ao púlpito para anunciar a Pala­vra de Deus. Permanece por uns momentos em silêncio, pensativo; depois se saberá porquê. No púlpito, diante dele, um bilhete com as palavras: «Esta é a tua última pregação».
Estala a rebelião no país. Num dado momento, as munições, secretamente preparadas, estoiram. Entra um sol­dado e grita:» «Fogo! Fogo»!. O pânico é geral, mas o padre Fidelis, imperturbável, continua a pregação: «Um só Senhor, uma só fé, um só batismo». Mas a emboscada estava bem urdida. Chovem balas, pedradas e assobios. Intimam o pregador a descer. Caem massacrados os sol­dados que o defendem. Uma bala, disparada contra ele, trespassa o púlpito. Os fiéis fogem em pânico. O padre Fidelis desce e ajoelha diante do altar. «Não adianta, padre — segreda-lhe o sacristão cheio de medo — a morte é certa. —«Não tenho medo, amigo: estou nas mãos de Deus e da Sua divina Mãe». Mas, momentos depois, acompanhado por um capitão austríaco, sai pela porta da sacristia e, graças a um sinuoso carreiro, parece estar a salvo. Tinha-se já afastado da igreja, à distância um tiro de espingarda, quando torce um pé e é forçado a parar. É a hora das trevas: surgem sicários calvinistas, armados de espadas, forquilhas e maçanetas de ferro. Ao capitão não lhe fazem mal e até lhe prestam auxílio; só querem ajustar contas com o padre Fidelis. Gritam-lhe: «Apostasia ou a morte»! O missionário, com a calma dos santos, res­ponde: «Não vim aqui, irmãos, para me fazer herege, mas para extirpar a heresia e dar-vos a conhecer que a única religião verdadeira é a católica; e tenho grande esperança que depressa regressareis à Fé dos vossos pais».
Nos rebeldes há um momento de indecisão; mas reco­bram de novo a sua habitual fúria e insultam-no! «Frade maldito, como te atreves a falar de uma religião estran­geira e de a implantar no nosso país?» Um sicário, de aspecto sinistro, aproxima-se e sacode-o com violência: «Quereis sim ou não abraçar a nossa Reforma»? E, sem esperar resposta, desembainha a espada e fere-lhe a cabe­ça. O padre Fidelis, a escorrer sangue, cai de joelhos e pro­nuncia as suas últimas palavras: «Senhor Jesus, perdoai aos meus inimigos; cegos pelo ódio e pela paixão, não sabem o que fazem. Meu Jesus, tende piedade de mim! Santa Maria, assisti-me». Dois golpes de maçaneta aca­bam com ele. Não são homens, mas feras: trespassam-lhe as costelas, amputam-lhe as pernas e o pé direito.
Tranquilo e sereno, o mártir de Cristo recebe a pal­ma do martírio. Eram 11 horas da manhã. Tinha 45 anos. Na terra, ensopada pelo seu sangue, desabrochou uma flor de deslumbrante beleza e exótico perfume.
Beatificado em 1729, Bento XIV proclamou-o Santo a 29 de Junho de 1746.


Liturgia Diária

Evangelho: 5ª-feira da 28ª Semana do Tempo Comum

Santo: São Paulo da Cruz

Publicações VEJA +
Enquete
Quais trechos da Bíblia você consulta mais?
Ver o resultado