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São Lourenço
de Brindes
Freis Capuchinhos do Paraná e Santa Catarina

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Diogo José de Cadix – 05

beato_diego_giuseppe_da_cadice_cO Beato Diogo José de Cádiz é certamente o maior, o mais fecundo e o mais popular pregador dos Capuchinhos de Espanha: não teme confrontos com ninguém.

Era veemente e inquieto como um São Vicente Ferrer; procurado e louvado como um redivivo Santo Antônio de Lisboa.

Eloquentíssimo e santo.

Nasce em Cádiz a 30 de Março de 1743.

Ainda criança dizia: «Quando for grande, serei Capuchinho, anunciarei o Evangelho, pegarei numa cruz e forçarei o mundo a chorar».

Superava todos os obstáculos: «Quero ser Capuchinho, missionário e santo». Exteriormente tinha todas as qualidades: bela presença, rosto angelical, nobreza de alma
e trato afável. Apenas a sua inteligência era curta; mas ele, com humildes súplicas e muitas lágrimas de tal maneira a pediu ao Senhor, que os seus mestres ficaram estupefatos, e os Capuchinhos, de braços abertos, admitiram-no ao Noviciado. «Se naquele dia confessava ele mais tarde: me dessem a escolher entre a coroa de Espanha e o pobre hábito Capuchinho, sem hesitar vestiria alegremente o burel de São Francisco de Assis: comparado com ele, os cetros e as grandezas do mundo não passam de um punhado de terra».

Poderia vislumbrar-se, só de olhar para ele, um futuro rico de graça. «Tomei muito a peito a formação daquele jovem, dirá um padre ancião e experiente diretor de almas ao Mestre de Noviços. Deus tem um singular desígnio sobre ele; pressinto que o chamará a grandes coisas».

Como estudante manifestará uma apurada inclinação para a literatura, que lhe dará fluente domínio da língua materna. Mas será no apaixonante estudo da teologia que o seu pensamento ganhará altos voos e a sua vida profundidade.

Terá como próxima e íntima confidente a Virgem Maria, «sede da Sabedoria»; e, sob o seu olhar maternal, crescerá exemplarmente em todas as virtudes e reconhecerá filialmente que a Ela fica a dever os seus êxitos e a sua miraculosa preparação para as futuras lides apostólicas.

A dado momento, São Pedro e São Paulo apontam-lhe um livro e um bordão de viagem e dizem-lhe: «Vai e anuncia o Evangelho». Já antes o próprio Cristo lhe revelara: «Quero fazer de ti um dos Meus apóstolos e enriquecer-te de seus privilégios».

Logo nas primeiras pregações, desperta grande entusiasmo. As igrejas são demasiadas pequenas para conter as multidões. Temcadiz de pregar ao ar livre, nas praças. De uma varanda ou sobre um palco, a sua voz, forte e harmoniosa, pode ouvir-se, mesmo a grande distância; é viva, quente, penetrante, chega ao íntimo dos corações, durante uma hora e mais.

A peroração é irresistível. É um verdadeiro ato de contrição com palavras diferentes, mas sempre com a mesma indizível expressão: O Beato Diogo José estreita o Crucifixo entre as mãos, olha-o com amor, fala-lhe como um santo. A multidão não resiste mais e desata a chorar.
Deseja-o perto de si e não quer deixá-lo partir. E, chegada a hora de regressar ao convento, a turba aperta-o tão indiscriminadamente que os soldados têm de lhe abrir caminho. Prega três, quatro, cinco vezes ao dia, sem dar mostras de cansaço, sempre com o mesmo entusiasmo. As
suas missões duravam de quatro a seis semanas, fazendo-as preceder de um curso de exercícios espirituais ao clero, que depois o ajudava no ministério fecundo do Sacramento da Reconciliação.

Não se contenta em anunciar a Palavra de Deus ao povo: entra nas Comunidades Religiosas, dialoga com os soldados, fala de Deus aos presos, dá palestras espirituais aos Magistrados e, com liberdade evangélica, os ilumina sobre as suas obrigações e os seus deveres. Tem, na verdade, o aspecto, o tom, o semblante de um verdadeiro profeta. Em Málaga, certo dia, atrever-se-á a dizer: «Povo desgraçado! Cidade arruinada! Hoje cometeram-se, dentro de teus muros, vinte e dois mil pecados mortais, três dos quais gravíssimos».

Deus está com ele. Não conhece cansaço e não tem descanso.

É tão incisivo na denúncia dos abusos morais como vigilante na defesa da integridade da Fé. Erguer-se-á, qual baluarte intransponível, contra todas as filosofias subversivas muito em moda, naquele tempo, noutros países.

Estamos no ano 1772. O Beato Diogo José tem agora 29 anos e encontra-se em Utreque (Holanda). Também ali, como em toda a Espanha, se sente a carestia de vida. Partisse-lhe o coração de dor ao ver tantos infelizes mirrados pelo flagelo da fome. No final do anúncio da Palavra de Deus, convida os ouvintes, na sua maioria pobres, a voltar no Domingo seguinte à mesma igreja, onde seriam distribuídos pão e legumes.

É fácil adivinhar a afluência de fiéis a um tal convite: vieram de todas as partes, mesmo ricos; um autêntico mar de gente. Eis que sobe ao púlpito e, com o seu ímpeto habitual, fala da esmola. Depois desce e, com o companheiro de missão, põe-se à frente do povo. Convida-o a seguí-lo. Para onde? Para o convento dos Capuchinhos. No pátio, o padre Diogo José mandara preparar uma grande quantidade de cestos cheios de pães e de legumes. Começa a distribuição. Toda a gente se precipita. Das mãos do santo e do seu companheiro os pães voam, como por
encanto, para os braços estendidos e suplicantes da multidão. A princípio, nada de extraordinário. Cada qual se retira, feliz, guardando o seu tesouro. O Servo de Deus olha à sua volta: o tropel da multidão continua, mas, graças a Deus, os pães não se esgotam nos cestos. Até mãos delicadas e senhoriais se estendem e se misturam com as mãos calejadas dos trabalhadores. Como acontece em ocasiões semelhantes, muitos dos que já tinham recebido, voltam novamente. O padre Diogo José e o companheiro continuam a distribuir até os seus braços caírem de cansados. Agora toda aquela gente se entreolha e compreende. Grossas lágrimas rolam dos seus rostos, e um forte
grito de admiração e gratidão sobe até ao céu.

josecadizEm Sevilha prega uma missão na catedral. Está lá toda a cidade. Nunca se tinham visto na igreja tantos doutores, homens de letras, da ciência e da magistratura. Em todos
suscita admiração e unânime consenso: «Quem ê este jovem Capuchinho que expõe a Sagrada Escritura com tanta profundidade, tanta lucidez e beleza de forma ? É verdadeiramente um homem de Deus! Ê um outro São Paulo! Não, para nós é o mesmo profeta Elias que reviveu».

Estamos agora no ano de 1778, em Córdova. Às primeiras palavras irrompem da multidão estrondosos aplausos. Profere um sermão sobre os desmandos das casas de
teatro e de comédia. Nessa mesma noite o teatro é fechado e os artistas são obrigados a sair.

Tema favorito da sua pregação: A Santíssima Trindade. Será chamado o seu apóstolo por excelência. Deste mistério insondável falou ao longo de uma novena inteira, sem sair do tema, sem se repetir, sem se tomar enfadonho. Os velhos teólogos espanhóis, famosos em todo
o mundo pela sua sabedoria, depois de o ouvir, confessavam: «Este Capuchinho foi escolhido por Deus para recordar ao mundo o mistério da Trindade, para que seja
confessado, louvado e adorado por todos».

Em Barcelona, na primeira pregação acorreram a ouví-lo 50 000 pessoas. Em Valência, os nobres, sete e oito horas antes, dirigiam-se para a igreja a fim de arranjar lugar. E assim em toda a parte. Sempre a pé, percorreu a Espanha de lés a lés. Mesmo nos êxitos mais retumbantes, a humildade será a sua inseparável companheira. Tinha plena consciência de que o dom da sabedoria, implorado à Virgem, lhe tinha sido outorgado por Deus. Quanto maiores eram os seus êxitos apostólicos, mais ele se aniquilava.

Em Zaragoza, terminada a Missão, o primeiro magistrado da cidade, fervoroso católico, enviou-lhe na despedida a seguinte saudação: «Padre Diogo José, confio muito nas suas orações. Conto, por elas, chegar ao Paraíso. Estou doente, não posso dar um passo; o Senhor, porém, levar-me-á de carroça! Ao que o Beato respondeu: «Isto
não lhe posso prometer; porque não se contenta em ir sobre um macho»?

Noutra ocasião, voltou-se para os que o rodeavam dizendo: «Quereis, de verdade, saber quem sou eu? Sou um asno que obteve do Criador o privilégio de caminhar apenas sobre duas pernas». Costumava dizer com frequência: «Os espanhóis puseram-se de acordo para honrar este asno da Galiza, chamado Diogo José, como se os numerosos chocalhos que leva sobre a albarda pudessem mudar-lhe a natureza». Por isso, só por obediência aceitava títulos honoríficos vindos de toda a parte: membro da Academia, doutor «honoris causa», e até mesmo
Presidente da Câmara!

Confiava todas as suas pregações à proteção da divina Pastora: expunha o seu estandarte na igreja, criando à volta da sua imagem uma terna e duradoira devoção. Todos os anos, no Verão, quando interrompia, por breve tempo, as suas viagens apostólicas, retirava-se para o convento de Ronda, a fim de pregar a novena de Nossa Senhora da Paz. Era o seu descanso. Junto da igreja reservava para si um quarto pobrezinho, não querendo nem um só instante afastar-se da doce Virgem, de quem, jubilosamente, se fazia seu panegirista, seu sacristão, seu servidor.

E que dizer do seu amor ao Sacrário? Quando pregava sobre o perdão das ofensas, revestia-se dos paramentos sagrados; depois colocava sobre o altar a custódia com o Santíssimo Sacramento, levava-a consigo para o púlpito e tinha-a nas mãos durante o sermão. Nesse momento era verdadeiramente um serafim. O seu amor a Jesus transparecia em cada gesto, em cada palavra, em cada novo argumento para destruir o ódio em todas as suas manifestações.

Dava particular importância à reforma do clero, à vocação à santidade. Falava de joelhos aos sacerdotes; e só se levantava por ordem expressa do bispo. Por diversas vezes exclamava: «Como posso esquecer o carácter sacramental impresso naqueles a quem falo? São sacerdotes! Têm uma dignidade divina! Parece-me vê-los sempre no altar com a Sagrada Hóstia nas mãos. Por isso quero falar-lhes de joelhos».

Se a doença o impedia de celebrar, desejava, ao menos, receber todos os dias a Sagrada Comunhão. Costumava dizer: «Não me admiro que alguns passem longos anos sem se confessar; porém, não posso compreender que, cristãos que se confessam, se contentem depois em ouvir só a Missa de preceito».

Não se pode passar por alto a sua vida austera. Considerava o corpo como o irmão asno e como tal o tratava. Tinha todo um arsenal de cilícios. Envolvia-lhe o corpo uma lacerante túnica penitencial, formada por oito lâminas de ferro e de cobre, munidas de aguçadas pontas
cortantes. Estas lâminas cobriam os lados, o peito, os ombros, as costas e uma parte dos braços; e, para que não se mexessem, segurava-as com uma corrente. Sobre este aparelho, terrivelmente refinado, usava uma espécie de camisa de crinas para conseguir mortificar também as
partes não martirizadas pelo ferro.

Assim, por mais de trinta anos decorreu a sua vida. Mas as ininterruptas penitências e as incríveis e esgotantes lides apostólicas haviam-no prostrado. Parecia chegada
a hora do descanso.

Um dia, encontrando-se no coro, sozinho, em oração, aparece-lhe Jesus, curvado sob o peso da cruz. De quando em quando, completamente extenuado, cai, mas de novo Se levanta e caminha… «Para onde vais, Senhor? — «Vou salvar as almas, visto que tu pensas abandoná-las»! E o intrépido missionário continuará a salvar os irmãos até ao esgotamento total, fiel ao seu programa de vida: amar, pregar, sofrer!

Quando já não pode mais, a Divina Providência encaminha-o para o convento de Ronda e, ali, sob o olhar da sua Mãe do céu, entra na última agonia. Estamos a 24 de Março de 1801; tem 58 anos. Os irmãos ouvem-no repetir: «Senhor, Tu sabes que Te amo»! E assim parte
este incansável apóstolo para receber de Deus a recompensa da sua intensa atividade.

Leão XIII declarou-o Beato no dia 1 de Abril de 1894.

Oração

Senhor, que concedestes ao Beato Diogo José de Cádiz a sabedoria dos santos, e fizestes dele guia e modelo para o seu povo, concedei-nos, por sua intercessão, a graça de sabermos discernir o que é bom e justo, a fim de anunciarmos a todos os homens a riqueza insondável da verdade que é Cristo. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

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Liturgia Diária

Evangelho: 5ª-feira da 28ª Semana do Tempo Comum

Santo: São Paulo da Cruz

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