Província
São Lourenço
de Brindes
Freis Capuchinhos do Paraná e Santa Catarina

CÚRIA PROVINCIAL:
Rua Alcides Munhoz, 190 - Caixa Postal: 18.833 - CEP 80410-980 - Curitiba, PR
Tel.: (41) 3335 2323 / Fax: (41) 3335 1087

Bento de Urbino -30

Bento de Urbino     O Beato Bento, dos nobres Passionei, cujo apelido irá ser uma nota característica da sua vida. Nasce em Urbino, em Setembro de 1560. A mãe era da linhagem da Duquesa de Cibo. Por isso, o nosso Santo travou relações de parentesco com as mais ilustres famílias italianas, e até mesmo com alguns Papas. O recém nascido, humanamente falando, poderia considerar-se um privilegiado, bafejado pela fortuna e digno de inveja. Em vez disso, o sofrimento será o seu companheiro ao longo de toda a sua vida. Aos quatro anos, perde o pai; a aos sete, a sua extremosa mãe. Os divertimentos próprios da idade não atraem o jovem adolescente; não pensa em cavalos nem em armas, mas, exemplarmente e com admiração de quantos o conhecem, dedica-se, como São Luis Gonzaga — oito anos mais novo do que ele — à vida espiritual e ao amor de Deus.
Aos 17 anos ingressa na Universidade de Perúgia, na companhia de um irmão que, acometido de doença súbita, infelizmente perde. Fica tão amargurado e abatido que não tem coragem para continuar em Perúgia. Vai então para Pádua, a fim de continuar os estudos. O ambiente da Universidade é mundano, mas não se deixa influenciar. Participa diariamente na Eucaristia, confessa-se com regularidade; é comunicativo, honesto e de carácter vertical e franco. Aproveita tão bem o tempo e a inteligência que, aos 22 anos, já está formado em Direito. Diz adeus a Pádua, saúda pela última vez, com imensa saudade, Santo António, e volta para o seio da família. Recebe as felicitações e os parabéns dos familiares e, pouco depois, mais para os contentar do que por sua própria vontade, parte para Roma, onde é admitido ao séquito do Cardeal Albani. Grandeza, luxo e poder deslumbrarão a muitos, mas ele não se deixa iludir. Pelo contrário, desde há algum tempo, insistentes vozes divinas ecoam no íntimo do seu coração:

A mortal grandeza é vã, pérfido laço é o ouro:

Uma fonte e uma maçã são o mais belo tesouro;

dum reino será senhor quem por Jesus for menor.

Compreende o sentido dessas vozes. O convite do Serafim de Assis torna-se cada vez mais interpelante. O tempo urge. Como «o Poverello», também ele abandona tudo para se dar totalmente a Deus.
Naquele tempo a Ordem dos Capuchinhos gozava de enorme simpatia, em toda a parte. O nobre jovem frequentava a igreja e, por conta própria, em segredo, impunha-se penitências e austeridades, que sabia serem praticadas pelos Capuchinhos, porque queria ser como eles. Naturalmente o seu firme propósito de abraçar aquela Ordem austera iria esbarrar com grandes obstáculos: a oposição unânime e convergente dos familiares e do próprio bispo de Fossombrone; e, sobretudo, as palavras, claras e sem paliativos, dos próprios Capuchinhos, que lhe irão exigir, em idoneidade moral e em saúde, mais do que aquilo que podia dar. ‘
Longa será a espera, e longo o martírio e a amargura do coração. Mas, finalmente, os Capuchinhos dizem-lhe que sim. A sua alegria é indescritível. Cortado o laço, tudo abandona como Francisco de Assis, e inicia uma nova vida. Na sua Província das Marcas, em Fano, veste, banhado em lágrimas de alegria, o hábito do «Poverello».
Recebe o nome de Frei Bento, e logo se propõe viver a sério a nova vida, para atrair sobre si as bênçãos de Deus.
Mas eis que surge uma outra prova: uma doença de peito compromete a sua saúde e a sua vocação. Todos, incluído o padre Provincial, são unânimes em que deve regressar a casa. Humanamente falando todo o seu projecto de vida se desmorona. Mas não importa que todas as esperanças humanas caiam por terra; confiante, o noviço recorre à esperança de Deus, porque deseja ficar na Ordem. Volta-se então para a Consoladora dos aflitos; suplica e promete amá-la e fazê-la amar sempre mais. A mãe de Deus vem em seu auxílio: é a cura, é a profissão religiosa na vida capuchinha.
Ordenado sacerdote, desempenha, com agrado do clero e do povo, o ministério da Palavra. É ativo e exemplar, disponível e infatigável. Dos 38 aos 42 anos tem a graça de poder fazer parte do grupo de Capuchinhos, enviados a Viena e Praga, sob a orientação de São Lourenço de Brindis. Com grande entusiasmo, notabiliza-se pela prodigiosa atividade e zelo apostólico na difusão da fé católica. Perde, entretanto, a sua saúde. Regressando a Itália, e recomposto de suas débeis forças, retoma a pregação.
Distingue-se na sua fidelidade à Regra e às Constituições. Por isso, é nomeado guardião dos principais conventos. Mais com o testemunho de vida do que com a palavra, torna-se o irmão disponível para todos. Ajuda o sacristão no adorno da igreja; auxilia os noviços e os estudantes na limpeza dos corredores; não tem receio em acompanhar, de porta em porta, o irmão esmoleiro de alforge nas mãos. Certo confrade observa-lhe: «Padre guardião, é demais». Ao que ele responde: «É melhor levar o peso do pão do que o dos pecados». Após as refeições, vai lavar a louça. O padre Geral, de visita, aconselha-o a poupar-se um pouco mais e a deixar esse trabalho para os Noviços: era ancião e a sua saúde estava alquebrada. Mas ele, com toda a calma, responde: «Não é mal nenhum verem o padre Guardião lavar a louça; assim aprendem que se deve praticar sempre os santos usos e costumes do noviciado».
Se via qualquer infração às Constituições, chamava o transgressor e, com bondade paternal, dizia: «Cometeu–se uma falta, torna-se necessário repará-la: ou eu ou vós devemos fazer penitência; se vos custar, faço-a eu». E, quando era forçado a castigar, também ele cumpria a penitência. Humilde e modesto também como Conselheiro do Ministro Provincial.
Sendo Superior em Pesaro, o Duque de Urbino vem fazer-lhe uma visita. É avisado quando está a lavar pratos. Com muita cortesia manda dizer-lhe que o atenderá, logo que termine o trabalho que tem entre mãos.
De compleição débil, raro era o dia em que se sentisse perfeitamente bem: estômago delicado, dores nefríticas, chagas nas pernas, hérnias dolorosas e mais de quinze intervenções cirúrgicas. Muito débil de vista, nas viagens, quase sempre feitas a pé, com frequência tropeçava e caía. Ao vê-lo trabalhar tanto, os confrades diziam-lhe: «Padre, tenha cuidado com a sua saúde». E ele: «Que me poupe? Não há esta recomendação no Evangelho nem na vida dos Santos. Nós devemos trabalhar. O Senhor já se preocupará em olhar por nós». Se um súdito lhe pedia licença para alguma penitência extraordinária, não dizia que não, mas impunha-se a si próprio essa mesma mortificação. Se no refeitório praticava esta ou aquela abstinência, procurava que ninguém o visse. Levava sobre as ilhargas uma cinta com pontas agudas de ferro; flagelava-se com ásperas disciplinas; levava habitualmente um cilício de pelos macerantes; usá-lo era como andar envolto num feixe de espinhos.
Era admirável a sua fé! Desde jovem costumava repetir a mesma oração e, já sacerdote, tomava-a como tema das suas pregações. Partira para a missão da Alemanha com a esperança de alcançar o martírio. Recitava o Ofício Divino sempre de pé e com a cabeça descoberta. Celebrava os divinos mistérios com muita dignidade. Ao regressar à Fraternidade, cansado e em jejum, se ainda não tivesse terminado a oração comunitária, retirava-se para recitar as Horas, em que não estivera presente.
Certo dia encontrava-se perto de Senigallia, à hora do almoço. Mesa já posta. Tudo pronto. O irmão companheiro convida-o a entrar. O padre Bento observa-lhe se tinha rezado as Horas, e acrescenta: «O pedaço de pão não me saberá bem, sem primeiro ter rezado o Breviário». Na celebração da Eucaristia, mais que um ser humano, parecia um serafim. Devido às suas doenças, os médicos aconselhavam-no a não celebrar. Mas ele respondia: «Prefiro suportar os meus incômodos a privar-me da santa Missa».
Amava a Virgem Maria com uma ternura de criança, comportando-se como se Ela estivesse sempre presente na sua vida. Beijava a terra a cada «Ave Maria». Com uma novena de oração e jejum, preparava-se para as suas Festas. Também recitava o Ofício mariano. Em toda a parte se manifestava um homem de vida contemplativa. Chamava à oração um sinal de predileção de Deus. A quem o admirava pelo seu recolhimento, respondia: «Não falarias desse modo se conhecesses o dom de Deus». Um dia, ao dirigir-se de Fano a Senigallia, sente tal fraqueza que não pode dar mais um passo. Estendido na terra, parecia ter chegado ao fim da sua vida. Com ele estava um irmão leigo, aflito e desolado. Caía a noite e, nas redondezas, nem viva alma. Que fazer? Menos mal que o próprio padre Bento livrou deste embaraço o aflito companheiro. «Tem confiança em Deus — diz-lhe. Vês além, ao longe, aqueles batéis?» Na verdade, vislumbravam-se uns vultos negros no meio do mar. «Pois bem, o Senhor vai enviar um deles em nosso socorro». A espera é breve: eis que um batel se afasta do grupo e rema em direção aos dois religiosos. O pescador convida-os, ajuda-os a subir e leva-os ao convento onde chegam salvos. com nada se perturba, nem com as ofensas. Vistas à luz de Deus, não são um mal. Em certa ocasião é injuriado em público. Os familiares instam-no a exigir reparação das calúnias. Não o permite o humilde servo de Deus e tem até um «momento» especial na santa Missa para os seus inimigos.
A virtude da obediência deitara profundas raízes na sua vida. Quando não era superior, recomendava a qualquer religioso o direito de mandar nele. Em viagem, em tudo dependia do companheiro de missão, habitualmente um irmão não clérigo. Quando pregava, não se preocupava que fossem muitos os ouvintes: apenas lhe agradava fazer a vontade de Deus. Professava para com os Superiores uma obediência feita de simplicidade, de respeito e de total fidelidade.
Humílima e fidelíssima a sua devoção ao Papa: não só as Encíclicas, mas também as diretrizes e todas as palavras do Vigário de Cristo eram para ele outros tantos oráculos do Espírito Santo.
benedito_urbino_30abrilAlegrava-se de ser o mais pobre de todos. O seu quarto era o mais estreito e despojado de tudo; o seu hábito, o mais gasto e remendado. Só nos dias mais invernosos levava o pequeno manto que alguém deixara de usar. Apenas por duas vezes, durante 40 anos, e por obediência, aceitou um hábito novo.
Era extremamente cuidadoso em guardar o voto de castidade, recorrendo a todos os meios oportunos: oração, vigilância, austeridade. Deus dera-lhe o dom de conhecer, por sinais exteriores, quem violava tão angélica virtude. Uma vez, certa pessoa, andou um dia inteiro para lhe falar. O padre Bento acolheu-a com bondade, mas sentiu de repente um fedor insuportável. Levou-a ao seu quarto e, de tal maneira lhe falou contra o vício da luxúria, que a pessoa desatou a chorar amargamente e mudou de vida. Quem não se sentia atraído pelo exemplo da sua vida santa, pela auréola das suas virtudes? Todos o veneravam como santo. Até para bispos e príncipes era uma graça poder falar com ele, receber os seus conselhos e conservar, como preciosa relíquia, qualquer objeto que ele tivesse tocado.
Entretanto, aproximava-se a hora de receber a recompensa. O servo de Deus tinha esse pressentimento. A um confrade, que lhe recomendava um hábito e umas sandálias, disse não ser mais preciso. Ao partir de Casali, para ir pregar uma Quaresma, deu-se conta de que não mais regressaria. Longo trajeto e caminhos lamacentos. Nos arredores de Urbania não pôde mais. Ajudado por gente bondosa, é acompanhado ao convento mais próximo. O Guardião dispensou-o de ir ao coro para a oração da meia noite (Matinas). Obedece, mas a altas horas da noite levanta-se e reza as Horas no seu quarto. Recomposto em pouco tempo, partiu para Sassocorvaro.
Começou a Quaresma com grande fervor, mas o seu estado, era demasiado débil. Todas as suas doenças se agravaram. Mesmo assim, ainda desejava observar o jejum e a abstinência. Em certa ocasião, ao ouvir que seu companheiro se disciplinava, exclamou: «Pobre de mim que não posso fazer mais nada de bom». Ainda conseguiu levantar-se, dirigindo-se a custo para a igreja, a fim de participar na Eucaristia e pregar. Os ouvintes, ao darem-se conta de que não poderia chegar ao fim, exclamavam: «Não somos dignos de ter conosco durante toda a Quaresma tão grande santo»! Todos o desejavam ver pela última vez, beijar o hábito ou levar qualquer recordação. Como já não podia andar a pé nem a cavalo, pensaram transportá-lo numa espécie de padiola. Ofereceram-se uns dez homens para o levar aos ombros, já que o convento distava uns 15 quilômetros, o tempo estava mau e os caminhos intransitáveis. No momento da partida, o céu apresentava-se ameaçador. Contudo, aquela gente não se deixou intimidar. Se Deus quisesse, tudo correria bem. Tiveram assim a grande alegria de o levar ao convento. Só então a tempestade desabou. Os irmãos da Fraternidade não pouparam esforços para o curar, mas o mal alastrava. Trasladaram-no de novo a Fossombrone. O Bem-aventurado não perdeu a calma sem a serenidade-rezando, esperava o convite de Deus.
No dia previsto por ele, recebe os santos Sacramentos e, com admiração e espanto dos religiosos, adormece no Senhor. Imensa multidão acorreu para o ver e assistir ao funeral. Os milagres aconteceram.
Foi beatificado por Pio IX a 15 de Janeiro de 1867.


Liturgia Diária

Evangelho: 5ª-feira da 28ª Semana do Tempo Comum

Santo: São Paulo da Cruz

Publicações VEJA +
Enquete
Quais trechos da Bíblia você consulta mais?
Ver o resultado