Província
São Lourenço
de Brindes
Freis Capuchinhos do Paraná e Santa Catarina

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Apolinário de Posat – 02

2-Beato Apolinario de Posat-2A firme e inabalável fidelidade à Santa Sé, primeira e última palavra da seráfica Regra veio a ser uma gloriosa característica e um admirável ornamento dos Capuchinhos.
Viçosamente germinados, na primeira metade de Quinhentos, da benéfica árvore franciscana, eles foram enviados a pregar ao povo com a sua austeridade de vida e a sua palavra de fogo, em tempos mais do que difíceis para a Santa Madre Igreja. Na verdade, confiou-se-lhes a missão de restabelecer a unidade, ferida por tantas heresias; e também a tarefa de levar os espíritos e os corações à obediência do Vigário de Cristo, juntamente com a missão de defender e de fazer estimar a hierarquia católica.
Incansáveis obreiros da vinha do Senhor! Do alto do púlpito e através dos seus escritos, nas praças e nos grupos mais contraditórios, nos palácios dos príncipes ou no meio dos soldados, quantos não foram os Capuchinhos que, intrépidos e imperturbáveis, lutaram, enfrentaram e refutaram os inimigos da verdade, anelando ardentemente morrer pela Fé?
Depois dos lauréis conquistados contra o Protestantismo, de novas glórias se fizeram merecedores nos tempos conturbados da Revolução Francesa.
Emerge, dentre todos, aquele que, em Outubro de 1926, juntamente com cento e noventa mártires da prisão dos Carmelitas, recebia as honras da Beatificação: o Frei Apolinário.
Nascera na Suíça, perto de Friburgo, em 1739. Desde os primeirosapo anos que a natureza e a graça de Deus fizeram dele uma alma de fundadas esperanças. Enviado a estudar no célebre Colégio dos Jesuítas da sua cidade, com a emulação dos condiscípulos e a admiração dos professores, facilmente recolheu estímulos, louvores e louros. Tinha pouco mais de vinte anos quando foi escolhido para defender publicamente uma difícil tese de Filosofia. O êxito foi enorme.
Todos, pois, a começar pelos seus mestres, se regozijavam da sua modéstia e da sua vida morigerada. Os próprios Superiores do Colégio, prevendo e antecipando o fúlgido amanhã do admirável aluno, e descobrindo nele claros sinais de vocação religiosa, convidaram-no a ingressar na Companhia de Jesus. Honrosa proposta, se as suas predileções não estivessem já orientadas para um ideal mais alto. Possuído de um singular amor à pobreza de Francisco de Assis, decide imitar o Patriarca dos pobres e escolher a pobreza como esposa.
Os Capuchinhos suíços estavam muito florescentes e eram pessoas dinâmicas e ativas. Foi viver com eles. Tinha vinte e três anos.
Pelo espaço de mais sete anos procurará completar, nos vários conventos da Província, a sua formação religiosa e intelectual, para ver finalmente realizados em Sion (Valesse), no ano de 1769, os seus sonhos sacerdotais e apostólicos.
Da vida do Frei Apolinário, o padre Maurício deixou-nos o seguinte testemunho: «Depois da profissão, ofereceu aos confrades o exemplo de uma sublime virtude e de uma profunda piedade. A sua ocupação preferida era a oração, vocal e mental, em virtude da qual lhe adveio, sem dúvida, aquela fé firme e aquela fortaleza que o acompanharam, dia após dia, até ao martírio. Praticava, com esmerado escrúpulo, as mais minuciosas práticas tradicionais na Ordem. Como sacer­dote, manifestava, na celebração dos divinos mistérios, um respeito, uma atenção e um fervor verdadeiramente extraordinários.
Era o primeiro em tudo. Nele resplandeciam, jun­tamente com a santa humildade e a alegre e pronta obe­diência, uma sincera predileção por passar despercebido, o gosto pela vida interior e um irreprimível desejo por tudo o que era sacrifício».
Os rigorosos estudos feitos nos Jesuítas, a competên­cia demonstrada nas disciplinas filosóficas e teológicas esti­veram na origem da sua nomeação para catedrático da Universidade de Friburgo, em 1777. O Beato, porém, pre­vendo que os olhos dos Superiores estavam postos nele para lhe confiar outras tarefas, pede para não ser pro­movido a tal dignidade. Deste modo poderia atender melhor à sua própria santificação.
Contudo, em 1783 foi nomeado Mestre de noviços, em Altdorf (Uri). Embora por pouco tempo.
A sua grande aspiração será finalmente satisfeita: dedicar-se ao ministério da Palavra, ao ensino e defesa do Catecismo. Incansável missionário, vai de aldeia em aldeia, de cidade em cidade, onde é escutado, aplaudido e seguido. Era sempre em grande número o povo à volta do seu púlpito. E até os nobres, atraídos pela sua voz apos­tólica, desciam espontaneamente dos seus castelos para dele se aproximarem, como se de um convite de graça se tra­tasse. Por onde passava refloriam os bons costumes, robustecia-se a fé, era reconfortante o dom das conversões.
Mas o demônio rugia: uma surda campanha de calú­nias se maquinava contra o homem de Deus. Quando menos se pensava, correram boatos de que a sua doutrina não era ortodoxa. E resolveram atacá-lo na sua honra.
Sujeitos de má reputação, incriminados e descarados, pagos pelos inimigos da verdade, protestantes ou não, teceram-lhe uma emaranhada rede. O servo de Deus teve de se justificar mais que uma vez, mas as vozes calu­niosas não se calavam. A força vence a razão, e, por amor da paz, o frei Apolinário pede e obtém a transferência para o convento de Lucerna.
Duríssima prova e breve paragem de méritos incal­culáveis. Aí aguardará até que Deus o volte a chamar às trincheiras da fé. Inesperadamente o Provincial da Breta­nha (França) convida-o a partir como missionário para evangelizar os pagãos da Ásia. Oferta maravilhosa. Porém, deveria ficar ainda por algum tempo em Paris, a fim de aprender a língua e adquirir os imprescindíveis conheci­mentos de Missionologia.
Quem poderia advinhar que, a sua estadia na capital francesa, não seria um simples tirocínio de estudos, mas o local e a arena do seu martírio? Cinquenta mil alemães, que habitavam principalmente na vasta paróquia de São Sulpício, suplicaram-lhe que os atendesse no seu minis­tério sacerdotal. Aceitou alegre e prontamente.
Entretanto, em Paris, como em toda a França, os espí­ritos andavam exasperados e agitados por um poderoso fer­mento subversivo, prenúncio da futura explosão de uma furiosa revolução.
O frei Apolinário sentia-se possuído de uma inven­cível coragem para enfrentar as perseguições e as provas. Estava bem caldeado na luta pelas dolorosas calúnicas que lhe tinham levantado.
Foi intimado também a prestar o famoso juramento revolucionário. Não opôs dificuldade no referente a tudo o que fosse obediência às leis civis; mas, firme e expli­citamente, recusou submeter-se a tudo quanto lesava os direitos de Deus e da Igreja.
O seu nome, porém, foi inscrito entre o dos sacer­dotes que tinham prestado o juramento. Então ele publi­cou um Opúsculo, denso de teologia e de fé, com o título: «O sedutor desmascarado ou a apostasia dos que jura­ram». Enviou uma carta de protesto ao Jornal «O Amigo do Rei», pedindo a sua larga difusão.
Das suas cartas, escritas em tempo de grande agitação, podemos ver e saber quais os admiráveis sentimentos que lhe iam na alma: «Alegro-me — escrevia a um amigo — das palavras que foram ditas contra mim. Aleluia! Ale­luia! Aleluia! Entraremos na Casa do Senhor! É lá, meu bom amigo, que Frei Apolinário cantará eternamente Suas divi­nas misericórdias. Que retribuirei ao Senhor por todos os Seus benefícios? Elevarei o cálice da salvação, invo­cando o nome do Senhor. Confiadamente invocarei o Senhor, e serei salvo dos meus inimigos. — Vinde e vede os mártires com as coroas com que o Senhor os coroou.
— Tenho de receber um batismo, e que angústia a minha até que ele se realize».
E ao seu Superior escrevia: «Sou fermento de Cristo e é preciso que eu seja triturado pelos dentes das feras para me tornar um pão imaculado. Como homem tremo, como cristão espero, como religioso alegro-me, como pas­tor de cinquenta mil almas rejubilo, porque não prestei juramento. Tudo podemos naquele que nos conforta!
— Aleluia! Aleluia! Aleluia! Na verdade, a França enso­pada no sangue de tantos mártires, verá brevemente flo­rescer a religião».
Buscava a sua força na Santa Eucaristia. Celebrou a última Missa com tal unção, que pôde dizer: «Em breve terei de suportar, impavidamente, o combate dos mártires».
Preso e conduzido ao seu «posto de honra», no profanado convento das Carmelitas, ali se juntou a dois bispos e a grande número de sacerdotes seculares e religiosos.
«Quando o Frei Apolinário chegou àquela prisão, no seu rosto transparecia uma grande e serena satisfação, causando admiração a quantos ali já se encontravam presos».
Na prisão, a sua palavra e o seu exemplo operavam prodígios de edificação e de conforto: ouvia as confissões, encorajava os vacilantes, orava e convidava a orar, passava o tempo — e eram momentos de paraíso — com os mais perfeitos e, por isso mesmo, os mais ansiosos de martírio.
Mais ainda, procurava tornar-se útil a todos: ou fazendo as camas, montadas ordinariamente sobre cadeiras, ou preparando as esquálidas mesas no interior da igreja; considerava um privilégio poder desempenhar os ofícios mais ingratos e difíceis, como, por exemplo, o de despejar os baldes das imundícies.
Uma preciosa morte veio finalmente coroar uma vida de tantas boas obras! Tudo isto o sabemos por uma testemunha ocular, companheiro de prisão que, providencialmente, escapou à ferocidade dos carniceiros, poucos momentos antes da matança.
Infelizmente conhecem-se todos os horrores daquele massacre. A 2 de Setembro, de 1792, dia de Domingo, as ruas de Paris fervilhavam de descontentes e por toda a parte fermentavam sinistras paixões. Na hora exata em que Danton, na Assembleia Nacional, incitava a todos os desmandos, uma seção executiva do Comitê revolucio­nário afixara e difundira, nestes termos, a ordem de exter­mínio: «Considerando os iminentes perigos da pátria e as manobras infernais dos padres, foi decidido que estes e todos os outros homens e mulheres, detidos nas prisões de Paris, de Orleães, etc, sejam eliminados rapidamente».
Foi uma autêntica caça ao homem nos jardins do claus­tro do convento das Carmelitas. Feras uivantes cevaram os seus instintos em cada nova vítima. «Posso atestar — escreve o abade Miquet — de que não ouvi o mínimo lamento de nenhum daqueles que vi massacrar»!
Entre os sacerdotes, abatidos a sabre ou trespassados por baionetas e picaretas, encontrava-se também o nosso Beato.
Os corpos das vítimas, despojados de suas vestes, entre chalaças e insultos da população, foram conduzidos ao cemitério, onde — sinal evidente de que o massacre fora ordenado pela Comuna — uma imensa vala os esperava.
Um jornal do tempo assevera que as vítimas foram lançadas ao Sena. Até pode ser verdade em relação a mui­tos. Contudo, no que respeita ao frei Apolinário, sabe-se que foi sepultado no dia seguinte. Conserva-se um documento, enviado ao Superior dos Capuchinhos, certi­ficando a sua morte.
Este foi o seu glorioso fim.
O seu zelo apostólico, a sua intrépida constância, a sua ardente lealdade a Cristo, que o levou a desejar o batismo de sangue, toda a sua vida de intenso trabalho e sacrifício, não seriam merecedores de tão esplendorosa coroa?
Foi beatificado, juntamente com os seus cento e noven­ta companheiros de martírio, a 17 de Outubro de 1926, pelo Papa São Pio X.


Liturgia Diária

Evangelho: 5ª-feira da 28ª Semana do Tempo Comum

Santo: São Paulo da Cruz

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